A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), entidade que representa empresas do setor da construção civil no país, estima que o fim da escala 6×1 deve exigir a contratação de aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais ainda em 2027. O texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o modelo foi aprovado pelo Senado Federal na noite desta quarta-feira (14/10).
Segundo a CBIC, estudos da entidade também indicam que a redução da jornada de trabalho pode pressionar os custos de produção e comprometer o ritmo de execução de obras de infraestrutura e de programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida.
A entidade nacional diz reconhecer a relevância social da medida, mas “ressalta a necessidade de um período adequado de transição, que permita às empresas do setor se adaptarem à nova realidade, com a reorganização de seus processos produtivos e atividades.”
“A principal preocupação é que os efeitos da mudança ultrapassem o setor produtivo e atinjam diretamente a população, especialmente as famílias de menor renda, que dependem de programas habitacionais, obras públicas e serviços essenciais”, afirma a CBIC, em nota.
No caso do Minha Casa, Minha Vida, as projeções da entidade indicam que a redução da jornada poderá resultar em cerca de 30 mil unidades habitacionais financiadas a menos por ano. O impacto, segundo a CBIC, representaria aproximadamente 83 mil pessoas a menos com acesso à casa própria anualmente.
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do Metrópoles
De acordo com a CBIC, no saneamento básico, os custos adicionais podem dificultar a expansão dos serviços, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde persistem importantes déficits de infraestrutura.
A entidade defende que os avanços nas condições de trabalho sejam acompanhados de medidas que preservem a capacidade de investimento do país e evitem o encarecimento e os atrasos em obras essenciais.
Por fim, a CBIC ressalta que uma mudança dessa dimensão exige atenção aos efeitos sobre toda a sociedade, sobretudo sobre a população mais vulnerável, que depende da ampliação da infraestrutura e dos programas sociais.
Fim da escala 6×1
O Senado Federal aprovou em dois turnos, na noite desta quarta, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1, modalidade de seis dias trabalhados para um de descanso.
Ao todo, nos dois turnos, 75 senadores votaram a favor do texto. Apenas um, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), votou contra. Três não participaram: Rogério Marinho (PL-RN), Ciro Nogueira (PP-PI) e Marcio Bittar (PL-AC).
A aprovação da PEC é uma vitória para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição. No primeiro turno do pleito, em 4 de outubro, ele ficou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 47,03% dos votos válidos. Já o petista conquistou 45,16%.


