Um fundo de investimento do Banco Master suspendeu os resgates e impediu que o Rioprevidência retirasse recursos de uma aplicação de R$ 481 milhões na instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Os valores foram aplicados no fundo Revolution, que cancelou o pedido de resgate apesar de uma ordem judicial que proibia medidas para impedir ou atrasar a operação, prevista para 17 de agosto.
O dinheiro pertence ao órgão responsável pelas aposentadorias e pensões de servidores do estado do Rio de Janeiro. A justificativa apresentada pelo fundo, administrado pela Master Corretora, foi a falta de liquidez: os investimentos da carteira não poderiam ser convertidos em dinheiro a tempo de atender ao pedido.
A gestão dos investimentos era feita pela Acura e passou à Versal Finance em fevereiro deste ano, em meio às investigações do Caso Master e das aplicações de recursos previdenciários no banco.
Entre no canal de WhatsApp
da Coluna Manoela Alcântara
Os advogados do Rioprevidência acusam os responsáveis pelo fundo de descumprir uma ordem judicial da 10ª Vara da Fazenda Pública da capital fluminense. A Procuradoria do Estado sustenta que o fechamento frustrou a retirada dos recursos e agrava os danos ao patrimônio público dos aposentados.
“Não obstante a concessão da tutela de urgência, esse resgate não foi honrado pela administradora fiduciária Master Corretora, de modo que quase meio bilhão de Reais em recursos previdenciários permanece aprisionado em carteira opaca, ilíquida e superavaliada”, escreveram os advogados do órgão, em documento obtido pela coluna.
“Impacto intolerável”
O Rioprevidência prosseguiu: “Esse impacto é intolerável para qualquer investidor e, em especial, para o Rioprevidência e para o Estado – este último responsável, em última análise, pelo pagamento de verbas alimentares aos aposentados e pensionistas fluminenses.”
O fundo foi fechado para resgates em 5 de agosto, 12 dias antes da data prevista para o pagamento. Um comunicado da administradora informou que todos os pedidos de retirada ainda pendentes de conversão seriam cancelados.
Em julho, o fundo declarava patrimônio líquido de R$ 5,52 bilhões, dos quais R$ 5,33 bilhões apareciam sob a rubrica genérica “outras aplicações”.
A coluna procurou a Versal e aguarda uma resposta.
Valores
Os advogados do Rioprevidência pediram a substituição da administração e da gestão do fundo, além da suspensão do pagamento de taxas às empresas envolvidas até a recomposição integral do patrimônio público.
A Master Corretora nega ter criado obstáculos à retirada do dinheiro e afirma que o fechamento para resgates foi decidido pela atual gestora, a Versal Finance, diante da falta de liquidez dos investimentos.
A administradora argumenta que uma venda forçada dos ativos poderia provocar perdas aos investidores. Segundo a defesa, os recursos recebidos pelo fundo serão usados para pagar despesas e devolver gradualmente o dinheiro aos cotistas, conforme os investimentos forem convertidos em caixa.



