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família Brizola acusa candidata derrotada de inventar parentesco


São Paulo — Uma das principais famílias da política brasileira protagonizou uma das polêmicas mais rumorosas da campanha eleitoral de 2026. Isadora Brizola (PDT), candidata derrotada à Câmara dos Deputados por São Paulo, usou como principal mote de sua campanha o suposto vínculo familiar com o líder trabalhista Leonel Brizola (1922-2004). Parentes do ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, no entanto, negam o vínculo.

Durante a campanha, a então candidata afirmava ser sobrinha-neta de Brizola, chegando a postar vídeos de inteligência artificial ao lado do suposto tio-avô.

No entanto, semanas antes do primeiro turno, internautas passaram a questionar o parentesco declarado por Isadora — principalmente pela aparente falta de proximidade com os outros Brizolas, que têm trajetórias políticas no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e, até então, nunca tinham mencionado a “parente paulista”.

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do Metrópoles SP

A partir daí, começaram as especulações sobre uma possível invenção de Isadora com o intuito de se destacar na disputa eleitoral (veja as duas árvores genealógicas no final do texto).

Estratégia eleitoral

Com o aumento dos comentários na internet sobre o caso, a história chegou ao historiador Leonel Brizola Neto, filho de José Vicente Goulart Brizola — primogênito do líder trabalhista —, e que já foi vereador no Rio de Janeiro. Em um post no X no início de outubro, ele declarou que a então candidata não possuía parentesco algum com a família.

“Trata-se de uma farsa para enganar o eleitor”, disse.

Em entrevista ao Metrópoles, Leonel Neto afirmou que nunca tinha ouvido falar de Isadora antes de ela conceder entrevistas se autointitulando sobrinha-neta de Brizola. Segundo ele, amigos de seu avô também o procuraram para questionar o suposto parentesco.

Para Neto, a história apresentada por Isadora para justificar a ligação familiar não se sustenta. De acordo com ele, a versão seria uma estratégia para ganhar visibilidade na disputa eleitoral.

A reportagem procurou outros integrantes da família Brizola a fim de esclarecer o suposto vínculo familiar com Isadora. Inês Brizola — neta do líder trabalhista —também afirmou não conhecer a candidata.

“Não conheço Isadora e, assim como os demais integrantes da família, fiquei bastante surpresa quando ela surgiu publicamente se apresentando como sobrinha-neta do meu avô”, declarou Inês ao Metrópoles.

Outro familiar, que pediu para não ser identificado, também disse que soube da existência de Isadora apenas no período eleitoral. Ele não descartou um possível parentesco indireto, mas criticou a utilização do sobrenome da família na corrida eleitoral.

“Achei um pouco forçada a forma com a qual ela utilizou do suposto parentesco para se promover eleitoralmente”, afirmou.

Isadora alega ser neta de um primo distante

Isadora Brizola — sobrenome grafado como Brisolla (com S e dois Ls) no registro oficial — recebeu 72.280 votos, mas não conseguiu ser eleita. Procurada pelo Metrópoles, ela se defendeu das acusações e apresentou sua versão para o vínculo familiar.

Segundo Isadora, o parentesco com Brizola vem de seu avô, Antônio Brizola, que ela diz ser primo distante de Leonel. Ele nasceu e viveu em Jaboticabal, interior de São Paulo, mas, segundo ela, viajava com frequência ao Rio Grande do Sul com o pai — José Brizola — para negociar couro e café.

Durante essas viagens, diz Isadora, conheceu Leonel Brizola e outros integrantes da família. A história, de acordo com a candidata derrotada, foi transmitida de geração para geração, em especial com base em relatos da avó, Ofélia Ferreira Brizola — casada com Antônio.

Isadora afirmou que a grafia diferente dos sobrenomes (Brizola x Brisolla) tem relação com a negligência dos cartórios da época e a falta de instrução dos familiares, que tinham origem simples.

“A gente tá falando de um parentesco que vem de três gerações atrás, de uma forma muito simples, pessoas analfabetas, inclusive por isso que tem um monte de grafia errada no registro. […] Meu sobrenome é com S, tem uma parte da minha família que é com Z, a minha tia de sangue é com Z, o meu bisavô era com Z”, afirmou.

A candidata derrotada em São Paulo não quis comentar o fato de descendentes diretos de Leonel Brizola terem descartado o parentesco.

Árvores genealógicas

Ao Metrópoles, Leonel Brizola Neto disse que a história contada por Isadora não é verdadeira. O herdeiro compartilhou parte da árvore genealógica da família, disponível no FamilySearch, e explicou que a versão da candidata foi sustentada pela existência de um homônimo na lista de ancestrais de ambas as famílias.

Segundo Neto, as duas árvores são completamente diferentes e, José Brizola — suposto bisavô de Isadora —, que seria a “ponte” entre as famílias, na verdade não é o mesmo que consta nos antepassados do líder trabalhista.

“A questão nunca foi a grafia. Só que não é possível, dentro da documentação existente, comprovar nenhum tipo de vínculo”, afirmou Leonel Neto.

Os esquemas a seguir mostram de forma detalhada as inconsistências entre as duas árvores genealógicas:

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Josés, integrantes da família Brizola, são do Rio Grande do Sul

José, bisavô de Isadora, viveu sua vida inteira em Jaboticabal, no interior de São Paulo
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José, bisavô de Isadora, viveu sua vida inteira em Jaboticabal, no interior de São Paulo

Victor San/Arte Metrópoles

Josés, integrantes da família Brizola, são do Rio Grande do Sul
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Josés, integrantes da família Brizola, são do Rio Grande do Sul

Victor San/Arte Metrópoles

Apesar da coincidência do nome José, o bisavô de Isadora sempre morou em Jaboticabal, no interior de São Paulo, e casou-se com Palmira Giovani, segundo documentos obtidos pelo Metrópoles.

Já os dois Josés que aparecem na árvore de Leonel Brizola sempre viveram no Rio Grande da Sul e casaram-se com Joanna Josefa de Oliveira e Onívia de Moura, em épocas distintas.



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