Albino dos Santos Lima foi condenado a mais 60 anos de reclusão | Fotos: Claudemir Mota
O Tribunal do Júri de Maceió condenou, nesta quinta-feira (22), Albino dos Santos de Lima a mais 60 anos de reclusão pelo duplo homicídio de John Lenno Santos Ferreira e Débora Vitória Silva dos Santos, assassinados a tiros em dezembro de 2023, no bairro Vergel do Lago. Cada crime resultou em penas definitivas de 30…
O Tribunal do Júri de Maceió condenou, nesta quinta-feira (22), Albino dos Santos de Lima a mais 60 anos de reclusão pelo duplo homicídio de John Lenno Santos Ferreira e Débora Vitória Silva dos Santos, assassinados a tiros em dezembro de 2023, no bairro Vergel do Lago. Cada crime resultou em penas definitivas de 30 anos de prisão.
A sessão foi conduzida pelo juiz Geraldo Amorim na 9ª Vara Criminal da Capital. Com esta nova condenação, a soma das penas impostas ao réu, apontado como serial killer, ultrapassa a marca de 290 anos de reclusão.
Depoimentos-chave e motivação revelada por pastor
Durante a instrução em plenário, o primeiro a depor foi o pastor da igreja que o réu e as vítimas frequentavam. À autoridade judicial, a testemunha relatou que Albino era assíduo e frequentava o templo há cerca de um ano, mas gerava incômodo entre os fiéis por seu comportamento e forma de olhar.
O líder religioso revelou que John Lenno o havia procurado anteriormente para relatar duas situações graves: a primeira de que Albino estaria fotografando ou gravando sua companheira, Débora, pelo celular; e a segunda de que o réu exibia um olhar fixo suspeito direcionado às pernas de uma criança no local. Após ser confrontado e repreendido pelo pastor, Albino passou a demonstrar fúria e deixou de frequentar o espaço semanas depois.
O pastor também afirmou que, cerca de 15 dias após o assassinato do casal — ocorrido a cerca de 700 metros da igreja —, o réu retornou ao templo aparentando satisfação com o crime e proferindo comentários debochados.


Provas técnicas, balística e debate em plenário
Durante os debates, o Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça, enfatizou que laudos periciais assinados por especialistas confirmaram que os projéteis retirados dos corpos das vítimas foram disparados pela pistola calibre .380 apreendida com o réu. A tese acusatória afastou argumentos de transtornos mentais graves, apontando que laudos psiquiátricos comprovaram que Albino possui plena consciência, percepção normal e traços de psicopatia, evidenciados pela total indiferença ao sofrimento alheio e ausência de empatia.
A defesa, por sua vez, tentou humanizar o réu recordando episódios de sua infância e argumentando o direito à ampla defesa, além de questionar a suficiência probatória dos depoimentos testemunhais. No entanto, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as qualificadoras de motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.


A sentença do juiz Geraldo Amorim
Ao proferir a sentença, o magistrado Geraldo Amorim destacou a gravidade e o modus operandi dos crimes:
“Se você quer entender o artista, precisa olhar para a arte dele. A cena do crime é a tela do serial killer”, ressaltou o juiz ao fixar as penas de 30 anos para o assassinato de John Lenno e 30 anos para a morte de Débora Vitória, totalizando mais 60 anos de reclusão ao histórico criminal do acusado.
Histórico de condenações do Serial Killer
Preso pelas forças de segurança pública em 2024, Albino Santos de Lima já acumulava oito condenações que somavam mais de 200 anos de reclusão antes deste júri. Com o novo decreto condenatório de 30 anos de reclusão estipulado pelo juiz Geraldo Amorim, o total de penas do serial killer atinge patamares históricos na Justiça alagoana, 234 anos, dois mês e 13 dias.
Confira a linha do tempo das condenações anteriores do réu:
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