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Morta aos 24, Meimei atrai peregrinos a túmulo em BH 80 anos depois


Belo Horizonte – Irma de Castro, conhecida como Meimei, teve uma trajetória marcada pela dedicação ao amparo espiritual e à evangelização infantil. Na quinta-feira (22/10) foram comemorados os 104 de nascimento dela e, ainda hoje, seu túmulo no Cemitério do Bonfim, na capital mineira, é um ponto de peregrinação de pessoas adeptas do espiritismo e que vão até lá para pedir alguma intercessão.

Sua participação nas tarefas de socorro espiritual permanece como uma referência para os trabalhadores espíritas, que reconhecem em suas mensagens palavras de acolhimento, carinho e assistência.

“Meimei tem um histórico bem interessante de trabalhos espirituais narrados pela espiritualidade. Ela se tornou uma madrinha, uma patrona da evangelização infantil, pelo seu histórico na vida espiritual”, afirma Eugênio Eustáquio dos Santos, presidente do Centro Espírita Meimei.

Após se casar com Arnaldo Rocha, ela passou a assinar Irma de Castro Rocha. O apelido Meimei surgiu a partir do livro Momento em Pequim, do escritor Lin Yutang. A expressão significa “noiva querida” ou “a bem-amada”. O casal utilizava o nome Meimei, carinhosamente, durante o namoro e o casamento, revela Eustáquio.

Os dois se casaram aos 22 anos e permaneceram juntos por apenas dois anos. Meimei morreu aos 24 anos. Ela tinha um problema crônico de nefrite, mas, segundo Eustáquio, sua morte ocorreu após uma cirurgia de amígdalas que resultou em uma infecção generalizada.

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do Metrópoles

Meimei era católica e Arnaldo ateu. Logo após a morte dela, Arnaldo conheceu o médium Chico Xavier em um encontro casual em Belo Horizonte.

“Chico passava por uma rua no Centro de Belo Horizonte, quando se encontrou com Arnaldo, muito triste. Chico olhou para ele e teria dito ‘É o nosso Arnaldo, cheio de saudade da nossa querida Meimei’”, contou Eustáquio. O apelido Meimei era íntimo e somente o casal conhecia. A partir daí, Arnaldo passou a acompanhar Chico Xavier.

Elanilza Carneiro / MetrópolesMeimei túmulo
Túmulo de Irma de Castro

Mensagens e trabalho espiritual

A partir de 1946, Meimei passou a transmitir mensagens por meio da mediunidade de Chico Xavier. De acordo com Eustáquio, ela demonstrava ser um espírito elevado, com compromissos de socorro e amparo, apesar da breve passagem pela vida terrena.

As mensagens eram destinadas, inicialmente, ao marido, Arnaldo Rocha. Em 1952, foi lançado o livro Pai Nosso, relacionado ao trabalho de evangelização infantil iniciado por Arnaldo. O presidente do Centro conta que a obra marcou o início da tarefa de Meimei voltada à assistência às crianças, que depois se estendeu às atividades de uma reunião mediúnica fundada por Chico Xavier para o atendimento espiritual.

A atuação de Meimei também é mencionada no livro Entre a Terra e o Céu, no qual, segundo Eustáquio, ela é conhecida como Blandina. Na obra, sua personalidade está associada ao amparo às crianças e à preparação das mães que receberiam espíritos infantis por meio da reencarnação.

A partir de 1946, Meimei passou a transmitir mensagens por meio da mediunidade de Chico Xavier
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A partir de 1946, Meimei passou a transmitir mensagens por meio da mediunidade de Chico Xavier

Elanilza Carneiro / Metrópoles

Lápide de Meimei no Cemitério do Bonfim em BH
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Lápide de Meimei no Cemitério do Bonfim em BH

Elanilza Carneiro / Metrópoles

O Centro Espírita Meimei foi fundado por Chico Xavier, em 31 de julho de 1952, em Pedro Leopoldo
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O Centro Espírita Meimei foi fundado por Chico Xavier, em 31 de julho de 1952, em Pedro Leopoldo

Elanilza Carneiro / Metrópoles

Sobre Arnaldo Rocha, marido de Meimei

O marido de Meimei, Arnaldo Rocha, morreu no dia 29 de outubro de 2012, às 18h40, em Belo Horizonte, com 90 anos de idade. Ele foi organizador dos livros Instruções Psicofônicas e Vozes do Grande Além, ambos publicados pela Federação Espírita Brasileira (FEB). Esses livros foram obtidos por meio de transcrição de gravações das psicofonias de Chico Xavier, no Grupo Espírita Meimei.

Arnaldo permaneceu dedicado à doutrina espírita até o fim da vida e, além de fundar a instituição Meimei, também trabalhou na União Espírita Mineira.

Referência dentro e fora do Brasil

O Centro Espírita Meimei foi fundado por Chico Xavier, em 31 de julho de 1952, em Pedro Leopoldo, Região Metropolitana de BH.

A instituição Meimei é a primeira casa dedicada ao trabalho de Meimei. Atualmente, há instituições com o nome Meimei em diferentes regiões do Brasil e também no exterior.

Seu reconhecimento na comunidade espírita está associado ao trabalho de socorro espiritual e às mensagens descritas como carinhosas e acolhedoras.

“Hoje nós temos quatro reuniões mediúnicas. Um dia dedicado ao estudo da mediunidade para o preparo de médiuns. Nós temos duas reuniões públicas de atendimento fraterno, socorro através do passe e orientações, além da evangelização infantil”, relata Eustáquio.

De acordo com Eustáquio no Centro, em Pedro Leopoldo, também há serviços de assistência a famílias, através de palestras sobre a doutrina espírita, “em torno do Evangelho de Jesus”.

Em 2027, o primeiro Centro dedicado a Meimei no Brasil, em Pedro Leopoldo, completará 75 anos.

Visitas ao Cemitério do Bonfim

O túmulo de Meimei fica na quadra 36, jazigo 256, no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte. De acordo com a  historiadora e professora da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Marcelina das Graças de Almeida, o jazigo de Meimei entra no roteiro de visitas guiadas com o tema Religião e religiosidade.

As visitas guiadas ocorrem desde 2012 e são realizadas por meio de parceria entre a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica e a UEMG. Os roteiros ocorrem no último domingo de cada mês.



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