A fintech A55 Sociedade de Crédito Direto, investigada por movimentar cerca de R$ 1 bilhão em um esquema de apostas ilegais, teria deixado de comunicar às autoridades fiscalizadoras movimentações financeiras suspeitas realizadas por empresas ligadas às “bets do crime”. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), apesar do grande volume, a instituição teria feito apenas uma comunicação de operação suspeita, no final de outubro.
Veja momento das buscas:
Segundo a corporação, a fintech, sediada na região da Faria Lima, em São Paulo, teria sido utilizada como estrutura para receber, movimentar e ocultar recursos vindo das apostas clandestinas. Mesmo sendo autorizada pelo Banco Central (BC) para funcionar, a empresa teria descumprido obrigações legais de monitoramento e comunicação de atividades consideradas suspeitas.
De acordo com a delegada Agatha Natacha Santos, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a empresa passou a ser investigada após os policiais identificarem que grande parte dos recursos movimentados pela instituição tinham origem em plataformas de apostas ilegais.
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do Metrópoles DF
“A fintech entrou no centro da investigação, não quando apenas recebia dinheiro de seus clientes, mas na parte que a grande maioria de seus clientes eram essas bets ilegais, era de onde vinha a maior parte do capital que girava na empresa”, explicou.
A delegada destacou ainda que movimentações dessa magnitude deveriam ter despertado a atenção dos mecanismos internos de controle da instituição.
“São várias situações que aconteceram no decorrer de um pequeno espaço de tempo e que gerariam no setor de compliance da empresa [regra da instituição], algum tipo de advertência”, pontuou Agatha.
A falta de alertas chamou a atenção dos investigadores principalmente quando eram analisadas movimentações milionárias em pequenos períodos.
A A55 já se envolveu em outro episódio relacionado a apostas. A fintech cancelou sob a alegação de irregularidades, uma conta utilizada pelo advogado Willer Tomaz de Souza, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), para enviar recursos à plataforma de apostas Blaze. A medida ocorreu depois que a instituição identificou movimentações financeiras atípicas que poderiam indicar lavagem de dinheiro.


Os criminosos tinham uma estrutura organizada para movimentar o dinheiro
Arte/Metrópoles

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 3,48 bilhões
Arte/Metrópoles

A ação ostensiva mobilizou cerca de 200 policiais civis do DF para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão e pesadas medidas de bloqueio patrimonial contra uma rede investigada pela exploração de apostas ilegais de quota fixa e lavagem de capitais
Material cedido ao Metrópoles

Só uma fintech de SP movimentou R$ 1 bi
Material cedido ao Metrópoles
Pagamentos via Pix
As investigações revelaram que os apostadores realizavam pagamentos por meio QR Code vinculados ao Pix. Em diversas plataformas investigadas, os policiais identificaram o mesmo CNPJ como responsável pelo processamento das transações.
Ao aprofundar as investigações, a PCDF descobriu que aproximadamente R$ 739 milhões movimentados pelas bets investigadas foram destinados à estrutura financeira da A55.
Além das operações realizadas pelas casas de apostas, a instituição e empresas do mesmo grupo movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão em transações. A polícia também informou que o Banco Central havia divulgado, em julho deste ano, a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da fintech.
Operação Azzardo
A Operação Azzardo, originada do idioma italiano gioco d’azzard, que significa “jogo de azar” em português, foi realizada na manhã dessa quinta-feira (5/11). Cerca de 200 policiais civis participaram do cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão no DF e nos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
Segundo Paulo Francisco Soares Pereira, a investigação identificou uma estrutura que utilizava empresas de fachada e pessoas recrutadas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas movimentações financeiras. “A gente teve conhecimento de que, em duas situações, no mesmo endereço havia 10 CNPJs, todos vinculados a essa exploração ilegal”, afirmou.
Diante dos indícios, o Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em patrimônio e valores dos investigados. A decisão também suspendeu os registros de 100 empresas e autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
Os alvos da operação podem responder por uma série de crimes, com penas que somadas variam de 11 anos e 6 meses a 31 anos de reclusão, podendo chegar até 33 anos nos casos de falsidade ideológica.



