Depois, o “job” é executado por meio do que se convencionou chamar de “crowdsourcing”: a terceirização de um serviço para uma multidão. Essa lógica vale para as corridas ofertadas a motoristas e entregadores de Uber e iFood, mas tem nas empresas de microtarefas a sua expressão mais bem acabada.
A mais famosa delas é a Amazon Mechanical Turk, parte do conglomerado fundado por Jeff Bezos. Basicamente, a plataforma recruta gente de verdade para realizar algumas atividades banais que robôs ainda não conseguem fazer.
Em geral, os trabalhadores recebem centavos por microtarefas muito simples, como classificar produtos por cor ou tamanho, em apenas um clique. Mas é possível também fazer crowdsourcing para trabalhos mais complexos — a indústria de cortes de Marçal que o diga.
Por fim, o sistema do coach bebe ainda de outra fonte típica destes tempos digitais: o trabalho por esperança. Estamos falando dos profissionais, principalmente os da chamada “indústria criativa”, que encaram frilas mal pagos ou até mesmo não remunerados só para fazer currículo. É o pessoal que trabalha de graça, em troca de experiência e exposição, com o sonho de abrir portas no futuro.
O próprio Marçal é produto desta engrenagem, reflexo de um mercado de trabalho cada vez mais polarizado. De um lado, uma pequena minoria com cargos bem remunerados e prestigiados. De outro, uma imensa maioria com ocupações precárias e descartáveis.
O empreendedorismo “fé em Deus e pé na tábua”, que fez do coach candidato um fenômeno das redes sociais, promete a redenção a quem der duro. Que tal começar trabalhando de graça com edição de vídeos para uma campanha eleitoral?


