Antropólogo Roberto da Matta:
“Natal é dia de nascimento ou tempo de renascer na esperança de ser uma pessoa melhor e mais devotada àqueles a quem se deve amor e honestidade – ou de continuar sendo aquele velho e consumado fdp!
Essa quarta-feira não é banal. Pois o calendário fez que uma repetitiva quarta-feira coincidisse com a incomparável natalidade do Salvador. Do Deus que se fez homem para redimir pecados e sofrimentos de nossos corações enclausurados pelos egoísmos físicos sem os quais não existiríamos.
Um Deus mortal é o símbolo maior das nossas questões coletivas e pessoais contidas na combinação apaixonada, que todos nós carregamos, de ruindade e bondade, generosidade e sovinice, sofrimento e felicidade.
Só o ‘Homo humanus’ aquilata a gloriosa generosidade do paradoxo de um Deus que morre por nós e, como homem, vive as nossas contradições, acolhendo na própria carne a nossa finitude.



