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A Alergia alimentar na infância, vai muito além da exclusão


Estratégias de leitura de rótulos com orientação para identificação de alérgeno são fortemente recomendadas

Quando uma criança recebe o diagnóstico de alergia alimentar, a primeira preocupação é evitar uma nova exposição ao alimento desencadeante da reação alérgica reação alérgica. No entanto, existe um aspecto importante que deve ser bem avaliado quando excluímos alimentos com grande contribuição nutricional da alimentação: o impacto que a exclusão alimentar pode exercer sobre a qualidade da alimentação e o estado nutricional.

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Leite, ovo, trigo e soja estão entre os alimentos mais frequentemente envolvidos nos casos de alergias alimentares especialmente na infância e também estão entre aqueles que mais participam da alimentação habitual no nosso país. Além de estarem presentes em inúmeras preparações do dia a dia, contribuem significativamente para a oferta de proteínas, vitaminas, minerais, macro e micronutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes. Por esse motivo, a retirada desses alimentos sem substituições adequadas em calorias, vitaminas e minerais pode aumentar o risco de inadequações nutricionais, especialmente quando as restrições são múltiplas ou mantidas por longos períodos.

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Estratégias de leitura de rótulos com orientação para identificação de alérgeno são fortemente recomendadas. Orientações que ensinem os cuidadores e familiares a como preparar, armazenar e higienizar o local de preparo alimentar são eficazes e ajudam a trazer mais segurança para dentro de casa

Mas os desafios da alergia alimentar não se limitam somente aos nutrientes que compõem esses alimentos. Após o diagnóstico, muitas famílias passam a viver em estado constante de alerta. Festas infantis, refeições fora de casa, viagens e até atividades escolares podem gerar insegurança. O receio de uma reação alérgica faz com que algumas pessoas evitem experimentar novos alimentos, reduzindo a variedade da alimentação e tornando as refeições momentos de tensão em vez de prazer.

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Esse cenário ajuda a explicar por que o tratamento não deve se restringir apenas à exclusão do alimento desencadeante. A avaliação e o acompanhamento nutricional têm papel fundamental na construção de uma alimentação segura, variada e nutricionalmente adequada. Isso inclui identificar substituições alimentares, orientar a leitura de rótulos, ensinar formas seguras de manipulação e armazenamento dos alimentos e prevenir restrições alimentares desnecessárias.

O desafio nem sempre está apenas no alimento que sai do prato, mas também em tudo aquilo que deixa de entrar no lugar dele. Por isso, além da segurança relacionada à exclusão do alérgeno, é fundamental garantir uma alimentação variada, equilibrada e nutricionalmente adequada para promover crescimento, desenvolvimento e qualidade de vida.

Dra. Ane Carmo – CRN 56027

Nutricionista

Especialista em Nutrição Clínica Materno Infantil USP.

Instagram @anecarmo.nutri

E-mail: [email protected]

Fontes consultadas:

1. Meyer R, Groetch M, Venter C. The evolution of nutritional care in children with food allergies: with a focus on growth and nutrient intake. J Hum Nutr Diet. 2024;37(5):1157-1167.

2. Vassilopoulos E, Venter C, Roth-Walter F. Malnutrition and allergies: tipping the immune balance towards health. J Clin Med. 2024;13(16):4713. doi:10.3390/jcm13164713.

3. Protudjer JLP, Davis CM, Gupta RS, Perry TT. Social determinants and quality of life in food allergy management and treatment. J Allergy Clin Immunol Pract. 2025;13(4):745-750. doi:10.1016/j.jaip.2025.02.016.

*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.



Fonte: Gazetaweb