Não foi por curiosidade que Bolsonaro se valeu de uma solda para desmontar a tornozeleira eletrônica que denunciava todos os seus passos. Nem por ter sido vítima de um surto. Foi para tentar fugir do país como fizeram muitos dos seus comparsas golpistas.
Quem garante que não tentará outra vez se a Justiça render-se às suas pressões e devolvê-lo à prisão domiciliar? De resto, por que é merecedor de um tratamento negado a outros criminosos em condições análogas? Só porque foi presidente do Brasil?
Bolsonaro tentou dar um golpe para destruir a democracia e eternizar-se no poder. Por pouco, não foi bem-sucedido. Então que pague, e pague caro pelo mais infame dos crimes previstos na Constituição. E para que sirva de exemplo aos seus devotos.
Semana sim, a próxima também, a defesa de Bolsonaro diz que ele está quase morrendo e pede para que cumpra em casa o resto da pena de 27 anos e três meses de prisão. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, peritos médicos o examinaram.
O próprio Bolsonaro “relatou melhora em comparação ao local anterior, destacando maior espaço para circulação” na Papudinha, em relação à superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estava detido. Estava com bom aspecto e sem dores.
Sua rotina é a seguinte: dorme por volta de 22h e acorda em torno de 5h, mas só se levanta mesmo às 8h para iniciar suas atividades diárias. Pela manhã, dedica-se à leitura de livros. À tarde, assiste a esportes na televisão e caminha, em média, 1 km sob escolta.
Tem direito a cinco refeições diárias – café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia. Eram três na Polícia Federal. No intervalo das cinco refeições, se alimenta de biscoitos e bolos trazidos por sua família. A cela que ocupa tem 55 metros quadrados.
Os peritos médicos não encontraram motivos para recomendar a transferência de Bolsonaro para nenhum outro lugar, mas dizem:
“Apesar do controle clínico e da disponibilidade de protocolos de pronta resposta para atendimento de urgência e emergência, é necessário otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por profissionais especializados em decorrência do risco de complicações, principalmente eventos cardiovasculares”.
Uma vez que isso ocorra, Bolsonaro estará mais seguro na Papudinha do que em casa, onde não terá médicos de plantão 24 horas por dia nem ambulância à porta. O resto é cavilação dele e manobra para ser notícia o tempo todo.



