Bolsonaro, o pai, preso por tentativa de golpe de Estado, acertou ao lançar a candidatura do filho Flávio a presidente da República. Por que legar sua fortuna de votos a pessoas estranhas à família? Acabaria esquecido rapidamente.
O único presidente que pediu para ser esquecido foi João Baptista de Oliveira Figueiredo, o último dos generais da ditadura militar de 1964. Pediu e foi esquecido. Bolsonaro quer ser lembrado para sempre, e por tudo que fez de ruim, será lembrado.
Para surpresa dos que apostaram suas fichas em Tarcísio de Freitas, ou ainda apostam por gostar de perder dinheiro, a candidatura de Flávio consolidou-se e continuará a crescer. É o que sugere a mais recente pesquisa Quaest, divulgada ontem.
Flávio e Lula têm tudo para se enfrentar no segundo turno da eleição, marcado para daqui a 255 dias. São rarefeitas as chances dos demais candidatos que se dizem representantes da dita direita civilizada. Sem essa de que a terceira via poderá surpreender.
Diz Kassab, presidente do PSD, que seu partido abriga três nomes para suceder a Lula – os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). E que o escolhido irá pontuar melhor nas pesquisas mais adiante.
É possível, sim, mas improvável que faça sombra a Flávio. Lula lidera na Quaest todos os cenários do primeiro turno, com intenções de voto entre 35% e 39%. Em todos, Flávio assegura com folga o segundo lugar, com percentuais que variam de 29% a 33%.
Ratinho aparece em dois cenários com 8% e 7%; Caiado, com 4%; e Leite com 3% e 4%. Em quatro cenários, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do NOVO, registra 4% das intenções de voto. Zema diz que será candidato para alavancar seu partido.
Kassab não diz, mas seu desejo é alavancar o PSD com o lançamento de um candidato, de preferência Ratinho. Diz que Lula e Flávio são os campeões de rejeição. E que quando os eleitores se derem conta disso, parte deles apoiará o candidato do PSD.
Segundo a Quaest, 54% dos entrevistados afirmam que “conhecem e não votariam” em Lula, enquanto 55% rejeitam votar em Flávio. Lula, por outro lado, tem potencial de voto para 42% dos entrevistados, enquanto o potencial de Flávio é de 36%.
Esquece Kassab, ou finge esquecer, que o eleitor não gosta de votar em candidato que vai perder. E que em cima da hora, junta-se a um dos dois candidatos que disputarão o segundo turno. É o tal do voto útil. De certa forma, antecipa o confronto final da eleição.
Desde a redemocratização do país em 1985, somente um presidente candidato à reeleição foi derrotado – Bolsonaro. E somente um candidato teve no segundo turno menos votos do que no primeiro – Geraldo Alckmin, em 2006, contra Lula.



