Roberto DaMatta, em “O que faz do brasil, Brasil!” fala-nos sobre a nossa economia e nossa cultura, o primeiro brasil com b minúsculo da economia e distribuição de renda, e o segundo Brasil com B maiúsculo do ufanismo no Carnaval, no Futebol, e na convivência social, que dão a amálgama de nosso povo. No Carnaval, as classes se invertem, onde o rico vira espectador do pobre que desfila na Avenida como um Rei. Nos fins de semana, inverte-se a relação casa-rua, onde a rua, tida como hostil nos dias úteis da semana, vira a extensão da casa, e a casa a extensão da rua. Em torno de uma feijoada, e de outros pratos típicos, comemoramos o nosso congraçamento. E no Futebol somos todos iguais!
A Sensus fez, no Brasil, três pesquisas para a TNS EMNID da Alemanha sobre o futebol no país, a primeira sobre a ‘Imagem do Alemão” antes da Copa de 2002, e segunda sobre a “Imagem do Alemão” após a Copa de 2002, e a terceira sobre o novo nome do Estádio do Bayern de Munique. Ficaram surpresos de como no Brasil todas as classes sociais torcem iguais, fato que não se verifica em outros países. No Carnaval, na Comida, e no Futebol, somos todos um só!
Hoje, estamos todos unidos em torno da “Canarinha”.
Passada a Copa, ganhando ou perdendo, voltamos ao caos, do b minúsculo de nossa economia, e do p mais do que pequeno de nossa Política e Eleições. Aqui, impera o caos. Na economia, o PIB não cresce desde 2010, estancado em US$ 2,2 trilhões, com o investimento anual do Brasil de somente 17% do PIB, para média mundial de 26%. Na política, a polarização e a incompetência ditam os nossos rumos, na apropriação do produto social por grupos de interesses específicos. É verdade que temos algumas coisas boas, como a mineração, o agrobusiness, a Embraer, o mercado financeiro, verdadeiros “insulamentos econômicos” para a sobrevivência do país, na extensão do conceito de “insulamentos burocráticos” de Edson de Oliveira Nunes em “A Gramática Política do Brasil”. A pauta de Lula é predatória para o nosso equilíbrio fiscal, gerando o que pode se chamar, na expressão de Paulo Paiva, de “crise fiscal contratada para 2027”. E a pauta de Flávio Bolsonaro se move pelo “discurso do ódio”, com interesses específicos definidos. E uma “3ª Via”, então configurada, não se apresenta. Nossas preocupações, devido a nossa premência, se pautam pela polarização e pelo Banco Master, sem que haja uma discussão sobre uma proposta para o país.
Durante a Copa, e após a Copa, oremos.
Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus



