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Acusada de matar PM, muda versão, mas acusação desmonta tese de legítima defesa


O Tribunal do Júri julga desde a manhã desta quinta-feira, 6, a mulher acusada de assassinar o companheiro, o policial militar Alessandro Fábio, em crime ocorrido em  março de 2022, na residência do casal, localizada no Condomínio Jardim das Violetas, no bairro Cidade Universitária, em Maceió. Com depoimentos emocionados dos filhos da vítima, relatos de…

O Tribunal do Júri julga desde a manhã desta quinta-feira, 6, a mulher acusada de assassinar o companheiro, o policial militar Alessandro Fábio, em crime ocorrido em  março de 2022, na residência do casal, localizada no Condomínio Jardim das Violetas, no bairro Cidade Universitária, em Maceió.

Com depoimentos emocionados dos filhos da vítima, relatos de histórico de ciúmes da ré e o confronto direto entre a acusação e a defesa, Josefa Cícera Nunes Flores alega ter agido em legítima defesa após discussões. O Ministério Público e a assistência de acusação sustentam que as provas periciais e as constantes mudanças de versões da ré comprovam a execução premeditada do militar.

A sessão começou com as oitivas de familiares e do subtenente Celestino, colega de farda de Alessandro. Em plenário, o militar revelou que o ambiente do casal era marcado pelo ciúme possessivo da mulher.

“Ele era um cara bem tranquilo e comunicativo. Ele sempre conversava com a gente que ela tinha muito ciúme dele, porque não aceitava que ele ajudasse os filhos, que não eram dela”, declarou o subtenente.

O colega de farda relembrou episódios graves de descontrole promovidos pela acusada no ambiente de trabalho da vítima.

“Uma vez ela invadiu o batalhão e foi bater no alojamento, ele estava trocando de roupa e tivemos que retirá-la. Ela disse que tinha entrado para olhar se tinha alguma mulher lá”, revelou Josefa Cícera.

Celestino ressaltou ainda que alertou o amigo diversas vezes sobre os riscos que corria dentro da própria casa.

“O dia da morte era um dia que devia ser de alegria pra ele, porque foi o dia da promoção. Eu aconselhava a ele a deixá-la, porque ela já havia atirado no pneu no carro e na lataria. Então eu dizia: Fábio deixa essa mulher, ela vai terminar atirando em você. E ele dizia que achava que ela não tinha coragem”, completou.

Ascom MPAL

Família do PM morto clama por Justiça | Ascom MPAL

Filhos clamam por justiça e lembram dor da perda

Antes do início da sessão e nos corredores do fórum, os três filhos do policial militar — Crislayne, Kelvy e Júlia — expressaram o sentimento de luto contínuo e a busca por uma resposta da Justiça.

“[…] hoje estamos aqui, no julgamento, e o que a gente mais espera dos juízes é que seja feita a justiça. A vida, infelizmente, foi tirada, não tem como mais voltar, o que a gente continua vivendo é com a saudade e a ausência, uma dor que não… não cessa. A gente reaprende a viver, mas a dor continua aqui. Independente do dia… tem tempos que a gente sente mais, dia sente menos, mas sempre estará aqui. Era um pai super presente, maravilhoso. Tive um filho recentemente que não foi seu avô. Perdeu ele ter essa convivência, de ter esse amor tão genuíno”, disse Crislayne.

O filho Kelvy também reforçou a confiança no Poder Judiciário:

“[…]o que esperamos, acreditamos ainda na lei do nosso país, né, para que dê uma resposta para a população e… é algo que hoje faz falta realmente, né? Porque ele era um pai que toda manhã falava com todos os filhos, mesmo se estivesse longe mandava mensagem, dava bom dia… E hoje vivemos sem essa situação, né? E esperamos que a justiça seja feita”.

Já a filha Júlia destacou a importância do veredito para trazer um alívio mínimo diante desta perda:

“[…] eu acho que de hoje a gente só espera uma condenação e que a justiça seja feita, porque o nosso sentimento ele não vai diminuir, ele não vai ser invalidado, mas a condenação vai nos trazer uma satisfação e um alívio de que a justiça do país ainda consegue ser realizada”.

Ré muda versão ao depor e alega legítima defesa

Durante o interrogatório, a ré alterou significativamente a narrativa apresentada anteriormente à polícia. Ela alegou que o casal bebeu em um bar e que a vítima demonstrou ciúmes após um homem desconhecido cumprimentá-la. A discussão continuou no trajeto até a residência do casal.

Anteriormente, a acusada afirmava que o PM a havia convidado para jogar “roleta russa” e que, durante a briga corporal, a arma teria disparado. Contudo, como o crime ocorreu com uma pistola — equipamento incompatível com a prática de roleta russa —, a mulher voltou atrás no discurso no júri. Ela sustentou que eles simularam a “roleta russa” e que, cerca de 35 minutos depois, iniciaram uma nova briga, momento em que precisou agir para se defender.

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Promotoria e acusação desarmam tese da defesa

Nos debates, os assistentes de acusação, José Paulo e Beatriz Carvalho, ao lado do promotor de Justiça Antonio Vilas Boas, refutaram categoricamente a alegação de legítima defesa e apontaram as contradições periciais.

“Alegar que ela ceifou a vida do companheiro em legítima defesa, não tem cabimento. Contradiz toda prova técnica”, afirmou Vilas Boas.

A acusação desmontou a tese de proximidade física e demonstrou com dados do laudo pericial que os disparos foram feitos à distância. Além disso, a perícia constatou que a mulher efetuou dois tiros contra o policial e tentou realizar um terceiro disparo. A terceira bala só não foi disparada porque o mecanismo de trava da arma do militar foi acionado, impedindo o tiro final.

Ascom MPAL

Promotor de Justiça Antonio Vilas Boas | Ascom MPAL

Os assistentes rebateram também as tentativas da defesa de alegar transtornos psicológicos na ré, ressaltando que consta nos autos apenas um atestado de artrite. Durante a sustentação, a acusação enfatizou as perdas sofridas pela família e pela sociedade:

“Vamos falar de perda, do lado da família da vítima. O neto não teve o prazer de conhecer o avô, as filhas menores cresceram sem o pai. E a sociedade também perdeu, foram 31 anos de dedicação à sua proteção, mas teve a sua vida ceifada pela mulher que mudou a versão três vezes”.

A acusação também lembrou que a ré responde a outro processo por denunciação caluniosa, por ter acusado falsamente o próprio companheiro, após a morte dele, de envolvimento no homicídio do ativista Kleber Malaquias.

Júri continua

Até o fechamento desta publicação, a sessão do Tribunal do Júri continuava em andamento. Por volta das 18h40, a tréplica foi encerrada e todos saíram do salão para acontecer a votação para ser determinada a sentença.

Reprodução

Sargento Alessandro Fábio da Silva, da PM de Alagoas

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