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agro é bolsonarista, mas subvenção da cana veio com PT


Edgar Filho participa do Fala, Líder. Reprodução Youtube

O setor canavieiro de Alagoas tem identificação com o bolsonarismo, mas foi nos governos do PT que os produtores receberam as últimas subvenções para enfrentar períodos de crise.

A constatação é do presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes, em entrevista ao Fala, Líder, programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió.

Segundo Edgar, existe ainda entre muitos produtores a percepção de que o agronegócio está naturalmente ligado ao campo político de Jair Bolsonaro. Na prática, porém, ele reconhece que as últimas medidas de apoio direto aos fornecedores vieram em governos petistas.

“O nosso setor tem aquele pensamento ainda de que o agronegócio é Bolsonaro e a gente não pode ver de outra forma. Mas as últimas cinco subvenções que nós tivemos foram todas no governo Lula ou no governo do PT”, afirmou.

Edgar lembrou que produtores receberam subvenções nos governos Lula e Dilma Rousseff e disse que, em outros governos, o setor não conseguiu medidas semelhantes. Para ele, esse histórico começa a levar parte dos produtores a olhar a política de outra forma.

“Tem uns que já estão analisando as coisas de forma diferente”, disse.

A nova subvenção foi aprovada pelo governo federal após uma forte mobilização das entidades de fornecedores do Nordeste. Edgar participou das articulações em Brasília ao lado de representantes de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O programa prevê quase R$ 300 milhões para os produtores nordestinos. Segundo ele, cerca de R$ 90 milhões devem chegar a Alagoas.

A ajuda será de R$ 12 por tonelada de cana e, na avaliação do presidente da Asplana, está longe de resolver todos os problemas do setor. Serve, no entanto, para reduzir parte das perdas acumuladas com preço baixo, clima desfavorável e dificuldades provocadas também pelo cenário internacional.

“Não resolve a nossa situação, mas ameniza”, resumiu. Edgar chama atenção principalmente para a situação dos pequenos fornecedores. Segundo ele, cerca de 90% dos produtores de cana em Alagoas são pequenos e muitos trabalham em regime de agricultura familiar.

Nesse cenário, a subvenção ajuda a manter na atividade quem produz em pequenas propriedades e depende diretamente da cana para garantir renda e emprego no campo. Para o presidente da Asplana, esse é justamente o ponto que diferencia o Nordeste do Centro-Sul do país.

Enquanto a produção no Centro-Sul é concentrada em propriedades maiores, com maior escala e melhores condições para mecanização, o Nordeste mantém uma estrutura mais pulverizada e com forte peso social. Edgar estima que o setor sucroenergético gere cerca de 60 mil empregos diretos durante a safra em Alagoas.

Sem algum tipo de apoio em momentos de crise, avalia, o risco é aumentar o abandono da atividade e pressionar ainda mais os municípios do interior. A nova subvenção, portanto, chega em meio a uma combinação de crise econômica e debate político.

E, segundo Edgar, deixa também uma provocação para um setor que tradicionalmente olha com mais simpatia para a direita: quando a dificuldade apertou, foi novamente num governo do PT que o apoio apareceu.

Veja a entrevista

Edgar Filho participa do Fala, Líder. Reprodução Youtube



Fonte: Gazetaweb