Apoio de Tarcísio a Nunes em 2024 pode travar vaga de vice para o MDB


O apoio de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) nas eleições municipais de 2024 pode ser um entrave para o desejo do MDB em compor a chapa majoritária do governador na disputa pela reeleição.

Isso porque, de acordo com interlocutores do chefe do Palácio dos Bandeirantes, o MDB já teria sido suficientemente contemplado com o papel desempenhado por Tarcísio na campanha de 2024, quando o governador se tornou o principal cabo eleitoral de Nunes e atuou como uma espécie de coordenador de campanha do prefeito.

A participação ativa de Tarcísio naquela campanha foi considerada crucial para a vitória do emedebista, em uma eleição apertada em que o candidato à reeleição quase ficou fora do segundo turno diante do bom desempenho de Pablo Marçal (PRTB), que acabou disputando o eleitorado bolsonarista com Nunes.

Nos bastidores, até hoje aliados de Nunes lembram do fato de Tarcísio ter se mantido firme no apoio ao prefeito mesmo quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) dava sinais trocados sobre o endosso ao emedebista, flertando com a candidatura de Marçal, que decolava nas pesquisas em certo momento da campanha do primeiro turno.

Apesar desse entendimento, o MDB entrou nos últimos dias na disputa pelas vagas da chapa majoritária de Tarcísio, seja para a vice ou para o Senado.

“O MDB-SP tem uma relação sólida com Tarcísio, construída a partir do segundo turno de 2022. Nossa base quer manter esse apoio em 2026. Especialmente porque, na disputa pela prefeitura de São Paulo, Tarcísio foi fundamental para nossa vitória. Por isso vamos apoiá-lo em qualquer caso. Nós entendemos que podemos colaborar na discussão sobre as vagas da chapa majoritária. Por isso, de fato, colocamos o MDB como opção para a vaga de vice-governador”, afirmou ao Metrópoles o presidente estadual do MDB, Rodrigo Arenas.

“Nós temos um compromisso com o governador Tarcísio. Não temos espaço no governo e nunca pedimos nada em troca. Somos gratos pela dedicação na campanha do Ricardo Nunes. E muito nos orgulha os índices de aprovação na capital. É uma parceria vitoriosa”, completou o dirigente.

Crise entre Tarcísio e Kassab

O movimento do MDB ocorre em um momento de crise na relação entre o governador e o PSD de Gilberto Kassab, que atualmente tem a vaga de vice com Felício Ramuth. Tarcísio tem afirmado a aliados que gostaria de manter Ramuth no posto, mesmo com a insistência de Kassab em ocupar a vaga.

Neste cenário, é estudada uma possível mudança de partido por parte de Ramuth. Questionado se o atual vice poderia migrar para o MDB para permanecer na chapa, o presidente estadual do partido não negou a possibilidade.

“Na escala hierárquica partidária, o deputado federal e presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, vem primeiro. Se ele decidir abrir mão para o Felício, ok”, afirmou Arenas.

Na segunda-feira (9/2), Baleia Rossi se reuniu com Tarcísio para discutir o cenário eleitoral. O encontro entre o presidente nacional do MDB e o governador paulista ocorre no momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ensaia oferecer ao partido a vice de sua chapa na disputa nacional. Entre os mais cotados estão os ministros Jader Barbalho Filho (Cidades) e Renan Filho (Cidades).

Além do PSD e do MDB, o PL também deseja a vaga de vice de Tarcísio, argumentando ser o principal partido de direita do País e ter a maior bancada da base na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O principal nome do PL para ser o vice de Tarcísio é o atual presidente da Alesp, André do Prado.

Em relação ao Senado, uma das vagas até o momento está garantida para o deputado e ex-secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite. O outro nome ainda está em aberto. A aliados, Tarcísio tem defendido que seja um nome de centro e moderado, para fazer frente aos possíveis candidatos da esquerda, que estuda lançar para a disputa nomes tidos mais centristas como Simone Tebet, Marina Silva ou Fernando Haddad.

Tebet, que é do MDB, teria que se mudar de partido para compor a chapa de Lula em São Paulo. A principal possibilidade de destino é o PSB.



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