Após vários adiamentos, júri do Caso Davi Silva é confirmado


Davi da Silva tinha 17 anos quando foi morto

Após uma longa jornada jurídica , o desfecho do chamado Caso Davi finalmente tem data para acontecer. Nos próximos dias 4 e 5 de maio, o Salão do Júri da 8ª Vara Criminal, em Maceió, será o palco do ato definitivo na busca por respostas sobre o paradeiro do jovem Davi da Silva, desaparecido em…

Após uma longa jornada jurídica , o desfecho do chamado Caso Davi finalmente tem data para acontecer. Nos próximos dias 4 e 5 de maio, o Salão do Júri da 8ª Vara Criminal, em Maceió, será o palco do ato definitivo na busca por respostas sobre o paradeiro do jovem Davi da Silva, desaparecido em 2014.

A remarcação deste júri ocorre após mais de uma década de tramitação processual. O caso, que já enfrentou sucessivos adiamentos por questões técnicas e processuais, agora avança com o apoio direto do Ministério Público de Alagoas (MPAL).

Veja mais: Desaparecimento de jovem é investigado pela Polícia Civil

Os promotores de Justiça Thiago Riif e Lídia Malta assumem a acusação, prontos para confrontar os réus Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e a ex-militar Nayara Silva de Andrade.

Barreiras e persistência

Desde que Davi, aos 17 anos, foi colocado em uma viatura da Radiopatrulha no Benedito Bentes, a luta por justiça enfrentou obstáculos severos. Além das remarcações que prolongaram a agonia da família, o processo foi marcado pela perda de uma testemunha-chave, assassinada meses após o crime, e pelo falecimento de Dona Maria, mãe de Davi, em 2025.

Dona Maria dedicou seus últimos dez anos de vida às buscas pelo filho, falecendo sem ver os acusados sentados no banco dos réus.

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Mobilização contra a impunidade

Devido ao histórico de adiamentos, entidades de Direitos Humanos e movimentos sociais organizam uma mobilização para garantir que, desta vez, o julgamento ocorra sem novas interrupções. A presença da sociedade civil no Fórum do Barro Duro é considerada essencial para pressionar por transparência e celeridade.

“Este julgamento foi adiado, mas a sede por justiça nunca cessou. Estar presente no Fórum é garantir que a voz de Davi e de Dona Maria seja finalmente ouvida pelo Estado”, afirma o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente.

Detalhes da Sessão:

  • Acusação: Tortura, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

  • Horário: Início às 7h30.

  • Local: Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes (Barro Duro).

  • Status: Confirmado e aberto ao público.

Reprodução

Dona Maria José morreu antes de ver concluído na Justiça caso de desaparecimento do filho de 17 anos, Davi Silva.

Sobre o caso

Davi Silva, 17 anos, desapareceu no Conjunto Cidade Sorriso I, no Benedito Bentes, na manhã de 25 de agosto de 2014. Ele foi visto pela última vez durante uma abordagem de policiais militares do Batalhão de Radiopatrulha (BPRp). De acordo com o Ministério Público de Alagoas (MPAL), o jovem foi brutalmente torturado dentro da viatura, e seu corpo nunca foi encontrado.

Segundo relato do amigo do adolescente, Raniel Victor, o menor – que tinha dificuldade na fala – foi levado  após ser flagrado com bombinhas de maconha. Os policiais, segundo a testemunha, queriam informações sobre o fornecedor da droga e se a boca de fumo pertencia ao traficante ‘neguinho da bicicleta’ , que era procurado pela polícia.

Raniel Victor foi assassinado dois anos depois, em 2016, com sinais de extrema violência. Seu depoimento foi fundamental para sustentar a versão de que Davi foi levado pelos militares após ser flagrado com pequena quantidade de maconha.

Durante a abordagem, Davi teria sido algemado, colocado na mala da viatura e espancado, inclusive com agressões em órgãos genitais.

A família do jovem vive há mais de uma década sem respostas definitivas. Em 2015, um corpo chegou a ser identificado como sendo de Davi, mas exames cadavéricos da Perícia Oficial descartaram a possibilidade.

Os quatro réus — três policiais militares da ativa e uma ex-PM — respondem por tortura, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A denúncia, apresentada pela 59ª Promotoria de Justiça da Capital ainda em 2015, sustenta que todos os acusados atuaram de forma conjunta na agressão e desaparecimento de Davi.

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