‘SENSAÇÃO DE IMPOTÊNCIA’
Após ser chamado de “macaco” por um torcedor durante o confronto, Marcos Roberto de Jesus Nunes registrou ocorrência na delegacia; profissional chamou o incidente de devastador
O árbitro Marcos Roberto de Jesus Nunes interrompeu a partida entre Votoraty e Referência, válida pelo Campeonato Paulista Sub-15, e deixou o estádio durante o intervalo após ser vítima de racismo. O incidente aconteceu no Estádio Municipal Domenico Paolo Metidieri, em Votorantim, no último sábado (1º).
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Ao término do primeiro tempo, quando a equipe de arbitragem se dirigia aos vestiários, um torcedor que estava na arquibancada proferiu ofensas de cunho racista contra o profissional. Ao retornar do intervalo, o árbitro fez o sinal que iniciou a abertura do protocolo antirracista.
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Marcos compareceu à delegacia para registrar a ocorrência do caso.
“Fui chamado de MACACO, palavras que foram ouvidas claramente pela equipe de apoio e pela segurança do evento. Ouvir que isso aconteceu com outra pessoa já é extremamente triste e doloroso. Mas sentir na pele é devastador. A sensação de impotência é tão grande que te faz chorar”, escreveu o árbitro nas redes sociais.
A equipe de segurança privada que atuava no estádio identificou o autor das ofensas e o conduziu a uma sala reservada, onde ele permaneceu até a chegada da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal (GCM). Em seguida, o torcedor foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Votorantim para a adoção das medidas legais cabíveis.
O crime de racismo prevê pena de reclusão de dois a cinco anos.
Em nota, a Prefeitura de Vontariam manifestou repúdio, disse que acompanha o caso e reafirmou o compromisso com o combate a toda e qualquer forma de racismo, injúria racial e discriminação.
O Votoraty também se pronunciou, afirmando que “segue à disposição para colaborar com a apuração dos fatos, prestando toda a assistência necessária às autoridades competentes e às partes envolvidas, para que o ocorrido seja devidamente esclarecido”.
“Na época da Copa do Mundo, ouvi muitas pessoas dizendo que não torceriam para a Argentina porque lá eles são racistas. Olhem para o nosso próprio quintal. O problema que apontamos lá fora também é o nosso”, finalizou Marcos Roberto na postagem.



