Artigo: Municipalismo e cidadania: a força da Feira dos Municípios Alagoanos
Por Arthur Lira
Advogado e Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB/AL
A 13ª edição da Feira dos Municípios Alagoanos, realizada entre os dias 22 e 25 de janeiro, sob a coordenação da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), consolidou-se como um verdadeiro êxito. Reconhecido como o maior encontro municipalista do Brasil, o evento reuniu estandes representativos das cidades alagoanas e integrou, em sua programação, o Congresso dos Municípios Alagoanos, com palestras e oficinas voltadas a temas estratégicos para o desenvolvimento local, como Saúde, Educação, Cultura e Direito Público, entre outros, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento da gestão pública municipal.
É muito comum, nos debates públicos, a afirmação de que “a vida acontece nos municípios”, e ela é absolutamente verdadeira. Por este motivo que o municipalismo assume papel central na consolidação da cidadania e no seu pleno exercício, afinal, são nas cidades que a vida cotidiana se desenvolve, onde os problemas emergem, as lutas sociais se travam e os cidadãos exercem, de forma concreta, seus direitos e deveres. Nesse contexto, a Feira dos Municípios Alagoanos afirmou-se como um legítimo espaço de cidadania, voltado à integração institucional e ao compartilhamento de boas práticas em diversos setores, inclusive nas áreas de direitos humanos e cidadania.
A exposição dos estandes de cada município reuniu o que havia de mais representativo em sua cultura, culinária, tradições e singularidades, transformando-se em um grande atrativo para todos os participantes do evento, dos mais jovens aos mais experientes, que se encantavam com a riqueza e as peculiaridades de cada cidade. O espaço também possibilitou uma verdadeira imersão nos diversos territórios do estado, rompendo com visões reducionistas que limitam Alagoas ao seu litoral e evidenciando a força e a identidade de todas as regiões, do sertão ao agreste alagoano.
A realização de eventos dessa natureza, por si só, produz conhecimento a partir do compartilhamento de informações próprias de cada território alagoano, de forma positiva e fraterna, fomentando oportunidades de aprendizado e fortalecendo o sentimento de pertencimento ao Estado. Não por acaso, diversos estudantes circularam pelo Centro de Convenções para vivenciar e se encantar com a grandiosidade do evento. Assim, a Feira dos Municípios cumpre papel essencial na construção da cidadania, ao promover valores como igualdade, liberdade e reconhecimento da diversidade entre os alagoanos.
Nesse sentido, parafraseando a professora Sandra Lira (UFAL), em discurso proferido durante o Jubileu do Conselho Estadual de Educação, em 2013, é fundamental compreender que a cidadania não pode ser reduzida a ações pontuais, como mutirões de corte de cabelo ou emissão de documentos, ainda que tais serviços sejam essenciais. O fomento à cidadania vai muito além disso, e eventos dessa magnitude têm o potencial de transformar consciências e garantir a genuína emancipação de todos que por ali transitam.
Portanto, celebrar a realização da 13ª Feira dos Municípios Alagoanos é, sobretudo, celebrar a própria substância da democracia. É compreender que a cidadania não é apenas um conceito abstrato, mas uma prática concreta, e que eventos como este são capazes de promover profundas transformações sociais e fortalecer a identidade coletiva do povo alagoano. Por fim, em tempos tão desafiadores, nos quais a solidariedade muitas vezes cede espaço ao individualismo, a Feira reafirma que a união de esforços entre os municípios alagoanos é o caminho e que a cidadania deve estar presente, de forma permanente, na formulação e na execução das políticas públicas.
Arthur Lira: É advogado e Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB/AL.


