O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, criticou o assédio sofrido por aposentados e pensionistas em relação à oferta de crédito consignado. Em entrevista ao Metrópoles nesta terça-feira (10/2), o titular da instituição afirma que as ligações insistentes aparecem no topo das reclamações dos segurados.
Para coibir esse tipo de prática e aumentar a segurança na concessão do crédito, o governo vai implementar um novo sistema de contração do consignado. O modelo tem sido chamado de “Leilão do Consignado”.
“Esse assédio chegou ao limite. Ninguém aguenta mais ficar recebendo ligação de manhã, tarde, à noite, para poder oferecer um consignado. A ideia é que a necessidade parta dos aposentados e pensionistas. Que ele, na verdade, faça a solicitação e abra um leilão. Ou seja, esse assédio não vai garantir efetivamente que ele contrate aquele produto”, frisou o Waller Júnior.
Como vai funcionar
O INSS trabalha em uma proposta de “marketplace” ou leilão, que permitirá ao beneficiário escolher, entre ofertas de diferentes instituições financeiras, a proposta que mais lhe agrada. O processo é semelhante ao adotado no Crédito do Trabalhador, voltado a funcionários da iniciativa privada.
Todo o procedimento será feito dentro do aplicativo Meu INSS. Na plataforma, que está em desenvolvimento pelo Dataprev, o segurado irá informar o valor que pretende contratar e selecionar quais instituições financeiras poderão ofertar lances. Os bancos terão 48 horas para fornecer uma proposta. O beneficiário vai analisar qual a melhor opção, e ao aceitar o lance, a instituição financeira formalizará o contrato.
Após o envio da documentação, o aposentado ou pensionista precisa verificar novamente as condições do contrato e confirmar a contratação. Esta etapa deve exigir o uso de biometria, e o objetivo é coibir fraudes e tornar o processo mais transparente.
“Ou seja, uma dupla checagem. Ele [beneficiário] faz, antes, a liberação, ele assina o contrato e, depois, no Meu INSS, ele fala: ‘Eu quero contratar e é isso que eu quero’”, explica o presidente do instituto.



