Associação do rifle que recebeu emendas é ligada à família imperial


A Associação Nacional Rifle (ANR), que recebeu R$ 2,3 milhões em emendas parlamentares de deputados bolsonaristas, é formada por simpatizantes do monarquismo e tem como patrono o chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

A entidade recebeu emendas dos deputados federais Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL) e Mario Frias (PL). Os repasses financiam com verba do Ministério do Esporte projetos como um congresso de tiro esportivo, atividades de tiro ao prato e um programa que prevê sessões regulares de tiro como estratégia de saúde mental para adultos.

Paralelamente à atuação favorável ao tiro esportivo e aos interesse dos militantes armamentistas, a entidade demonstra engajamento ao movimento monarquista brasileiro, incluindo proximidade com a família do autor da emenda, o deputado Luiz Philipe, conhecido informalmente como “príncipe”. O próprio brasão da ANR traz uma coroa, em alusão à realeza brasileira.

O presidente da ANR, Rafael Zampaulo (à direita na foto em destaque), aparece em diversas fotos ao lado de Dom Bertrand de Orleans e Bragança (à esquerda), que chegou a visitar seu clube de tiro.

Um dos registros aparece no próprio site da Casa Imperial. “Os esportes de tiro são praticados em todo o mundo, incluindo o Brasil, e apreciados por Dom Bertrand, que pratica tiro esportivo desde jovem e é Patrono da Associação Nacional dos Rifles e 1º Clube de Tiro Monarquista do Brasil”, diz o texto.

Emendas

O deputado Luiz Philippe enviou duas emendas, nos valores de R$ 1,3 milhão e outra de R$ 490 mil. Mario Frias, por sua vez, enviou R$ 539 mil. Ambos os deputados têm entre sua base Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs) e militantes armamentistas.

O “principe” foi eleito, em 2022, com doação de R$ 50 mil de um empresário listado como “diretor” da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (Aniam), segundo o site da Receita Federal. Frias, quando era secretário especial de Cultura da gestão Bolsonaro, chegou a incluir visitas a clubes de tiro como parte de roteiro oficial de trabalho que realizou em São Paulo, custeado com dinheiro público.

Presidente da Associação Nacional do Rifle, Rafael Zampaulo
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Presidente da Associação Nacional do Rifle, Rafael Zampaulo

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Membros da ANR com o chefe da Casa Imperial, Dom Bertrand
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Membros da ANR com o chefe da Casa Imperial, Dom Bertrand

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Post convida para congresso de rifle em clube de tiro
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Post convida para congresso de rifle em clube de tiro

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De acordo com dados do governo federal, as três emendas foram enviadas entre 2024 e 2025, e estão em execução. Uma delas, no valor de R$ 1,3 milhão, era para a realização do 1º Congresso Rifle de Tiro Esportivo, em Saltinho – o evento estava previsto para acontecer no clube de tiro Redneck, de propriedade de Rafael Zampaulo, o presidente da ANR, no dia 21 de fevereiro.

A justificativa do evento com estimativa de mais de 200 participantes era o fortalecimento do tiro esportivo amador, além de “melhoria das habilidades psicológicas, físicas e sociais dos participantes, contribuindo para a formação de cidadãos mais disciplinados e comprometidos”.

Um terceiro projeto é focado na prática de tiro ao prato, voltado a 312 adultos. Outra emenda é para um projeto voltado à saúde mental em que os 60 beneficiários passariam por sessões regulares de tiro esportivo.

Interesses armamentistas

A entidade fica na Rodovia Cornelio Pires, em Saltinho, mesma estrada onde também funciona o clube de tiro Redneck, de propriedade do presidente da entidade.

A ANR se define como uma entidade que tem como missão “defender os direitos e interesses” dos CACs e fundada “com o propósito de unir forças e representar as aspirações de seus membros junto ao Poder Público e à iniciativa privada”.

O presidente da entidade se define como instrutor de tiro, comendador e aluno de Olavo de Carvalho, guro do bolsonarismo que morreu em 2022. Nas redes, sempre armado, posa de chapéu de caubói, vestido de Papai Noel e no dia de seu casamento.

A reportagem procurou a ANR por e-mail e telefone, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Mario Frias e Luiz Philippe também não se pronunciaram. O espaço segue aberto para manifestação.



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