A Universidade Federal de Alagoas (UFAL) instalou um banco de praça vermelho na Reitoria nesta segunda-feira (9). O objetivo é estimular reflexões sobre a violência contra as mulheres. A ação aconteceu simultaneamente em mais de 30 instituições federais de ensino no país.
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A cerimônia de instalação começou em silêncio. Os toques suaves da flauta e do violino deram o tom do momento simbólico. O banco tem a cor vermelha, da cor de sangue.
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A iniciativa busca que ninguém passe pelos bancos sem refletir sobre a violência contra a mulher e sobre os números de feminicídio no Brasil. A ação envolve a comunidade universitária, incluindo estudantes, professoras, técnicas e servidoras da UFAL.
O Brasil registrou 1.568 assassinatos de mulheres no ano passado. No estado de Alagoas, nos dois primeiros meses de 2026, foram registrados mais de 800 pedidos de medidas protetivas.
“Ele é um dos elementos que a gente traz para a reflexão, para a discussão, para manter o alerta sobre a discussão do tema segurança, particularmente da segurança das mulheres. Já que o Brasil tem apresentado indicadores terríveis com relação ao aumento do feminicídio, quase 1.600 mulheres assassinadas no ano passado e o próprio estado de Alagoas, só nesses dois meses aqui do ano de 2026, foram mais de 800 pedidos de medidas protetivas. Ou seja, famílias que estão sendo afetadas, mulheres que estão sendo impedidas de trabalhar, de exercer a sua cidadania. E isso afeta a sociedade como um todo”, declarou um representante da instituição.
“É um tema que tem que estar na pauta, tem que estar na reflexão e que a UFAL não vai abrir mão de discutir”, completou.
A Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar de Alagoas, disponibilizou ações efetivas no campus universitário. As ações incluem debates e acompanhamento de mulheres servidoras e estudantes de graduação, mestrado e doutorado.
“É importante as mulheres denunciarem, é importante as mulheres terem com quem conversar, buscarem ajuda, não se calarem. A gente sabe o quanto é difícil para algumas pessoas, principalmente em vulnerabilidade social. Mas é importante conhecer os canais, de buscar ajuda cada vez mais. Saber os números de contatos, saber delegacias”, afirmou uma participante.
Entidades que defendem o direito das mulheres veem a iniciativa como um reforço na luta contra o feminicídio. Representantes de entidades que atuam na proteção de mulheres participaram de discussões sobre políticas de combate à violência de gênero.
“A nossa luta, ela é diária. É a luta para mantermos a família, para nos mantermos no trabalho, por uma equidade, por igualdade, enfim. Ser mulher já é lutar desde a hora do nascimento. Então, o ato simbólico ele não é só um gesto, é uma reflexão crítica, que esse é o papel que a universidade tem junto à sociedade”, disse outra participante.
“É um momento de reflexão, mas as reflexões têm que ser feitas a partir de políticas concretas, e é o que a gente busca aqui no dia de hoje, trazendo depoimentos de estudantes, de professoras, de técnicas e servidoras da UFAL que não se limitam a sessões, foram depoimentos percorridos por todos os campos da UFAL, depoimentos reais, de pessoas reais. Então, o que é que vai ser feito a partir de agora? Porque o banco é, sim, importante trazer essa reflexão contra o feminicídio, mas não é suficiente. Então é isso que a gente cobra, cobra políticas concretas”, afirmou uma representante de entidade.
“É um símbolo de resistência para que a sociedade lembre da quantidade enorme de feminicídios que tivemos, ano passado mais de 1.500 e da importância da gente seguir daqui para frente. É um banco que nos faz refletir e nos faz pensarmos onde estamos errando como sociedade”, declarou outra participante.



