Crianças são resgatadas de enchente dentro de bacias, em Olinda — Foto: Reprodução/TV Globo
O temporal no Grande Recife na sexta-feira (1º) deixou vários bairros alagados. Em Peixinhos, em Olinda, o nível do Rio Beberibe subiu e inundou casas. Na de Dayane Maria dos Santos de Lima, de 21 anos, a água ficou acumulada até a altura do pescoço dos moradores. Os dois filhos dela, uma bebê de 3 meses e um…
O temporal no Grande Recife na sexta-feira (1º) deixou vários bairros alagados. Em Peixinhos, em Olinda, o nível do Rio Beberibe subiu e inundou casas. Na de Dayane Maria dos Santos de Lima, de 21 anos, a água ficou acumulada até a altura do pescoço dos moradores. Os dois filhos dela, uma bebê de 3 meses e um menino de 2 anos, foram resgatados dentro de bacias.
O momento de desespero foi flagrado por câmeras de segurança instaladas no local. Nas imagens, é possível ver quando familiares e amigos da Dayane resgatam as crianças no meio da enchente. Em alguns momentos, eles precisaram nadar por causa do nível alto da água.
A bacia com a bebê foi apoiada em uma tábua, para ajudar na flutuação. Ao lado, um dos homens segurava um guarda-chuva para evitar que ela se molhasse. Logo em seguida, o vídeo mostra o momento em que o menino, identificado como Ravi Miguel, é levado dentro de uma bacia, que funciona como um barco.
Um homem conduz o menino pela enchente enquanto a mãe, de longe, tenta acalmá-lo. Alguns animais foram resgatados numa geladeira quebrada e num tonel. O eletrodoméstico funcionou como bote para um gato e alguns pertences. Já um porco foi colocado dentro de um tonel, que flutuava na enchente.
Em entrevista à TV Globo, Dayane contou que o nível do Rio Beberibe subiu nas primeiras horas da manhã, por volta das 5h. Quando ela acordou, o quintal já estava tomado pela água e faltava pouco para invadir a casa.
“Assustou pelo fato de muita água, né? E estava batendo nas coisas. Aí eu disse: ‘olha, mainha, não tem mais o que fazer. A gente estando aqui, ou sem estar aqui, a água vai bater do mesmo jeito, a gente tem que sair’. Nunca deu água assim dentro de casa, só a enchente de 2022 e essa agora”, disse Dayane.
Dayane não viu outra alternativa para conseguir salvar os filhos. Mesmo com receio das condições precárias do resgate, precisou confiar que seu irmão e outros familiares, além dos vizinhos, conseguiriam levar as crianças para um lugar seguro.
“Começou a subir mais a água, aí foi quando começou a bater nas tomadas, e a gente precisou desligar o contador e ficou sem energia e sem lugar pra sentar, por isso que eu precisei sair com ela [a bebê]. Quando ela estava saindo daquele jeito [na bacia], eu ainda disse ‘não, não leva ela assim não’, porque eu fiquei com medo da tábua virar e ela cair”, contou Dayane.
Desde sexta-feira (1º), quando precisou sair da casa onde morava com os filhos e a mãe, a jovem está abrigada na casa de uma amiga de infância.
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Gato e pertences são resgatados de enchente dentro de uma geladeira quebrada em Olinda — Foto: Reprodução/TV Globo
A mãe dela, Márcia Silva dos Santos, conta que as perdas materiais foram muitas. Mesmo desempregada, ela terá que conseguir repor aquilo que ficou destruído pela enchente.
“O berço da criança, o guarda-roupa de Dayane, o armário, o carrinho de bebê da menina. […] Todos nós aqui somos esquecidos. Ajeita aqui e ajeita ali, mas aqui ninguém faz nada para a gente, por isso vivemos nessa situação”, disse Márcia.
Como as enchentes são recorrentes onde mora, a família subiu o nível da casa para evitar que água entrasse na residência. “Tentamos minimizar mais a situação, mas a água continua cada vez mais subindo e subindo”, declarou Márcia.
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