Carlos Viana trabalhou em TV da Lagoinha enquanto mandou emendas à fundação da igreja


O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (CPMI do INSS), Carlos Viana (Podemos-MG), se tornou apresentador do programa “Brasil Notícias”, da Rede Super de Televisão, em abril de 2021, data em que já era senador. A emissora pertence à Igreja da Lagoinha, à qual o parlamentar é acusado de blindar nas investigações do Congresso.

Assista à estreia dele no programa:

Como revelou a coluna, Carlos Viana repassou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares à Fundação Oásis, braço social da Igreja da Lagoinha. A revelação levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino a cobrar explicações dele sobre o montante nesta quinta-feira (19/3).

“Em vista da necessidade de assegurar o cumprimento do Acórdão deste STF, de dezembro de 2022, que fixou balizas quanto à transparência e à rastreabilidade de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, determino o envio de ofício ao senador Carlos Viana, bem como a intimação do Senado Federal, por intermédio de seu Advogado-Geral, para que se manifestem acerca dos fatos reportados no prazo de cinco dias úteis“, escreveu na decisão.

Dino atendeu a um pedido de explicações formulado pelos deputados federais Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) com base na reportagem da coluna.

O primeiro repasse identificado pela coluna ocorreu em 2019. À época, Carlos Viana enviou uma emenda de R$ 1,5 milhão à prefeitura de Belo Horizonte, mas já destinada à fundação, criada em 18 de outubro de 1995.

Carlos Viana mandou outros R$ 1,47 milhão em 2023 e mais R$ 650,9 mil em 2025. O carimbo na verba foi o de uma filial: a Fundação Oásis de Capim Branco, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Doei das minhas emendas para uma fundação que, todos os anos, gasta R$ 10 milhões em recuperar pessoas moradoras de rua e dependentes químicos. Vou continuar doando. Existe um Ministério Público neste país que nos investiga. Tudo o que eu faço é em cima do telhado“, declarou o presidente da CPMI do INSS durante a sessão do colegiado nesta quinta-feira.

A Igreja da Lagoinha tem o pastor André Valadão como líder e é ligada ao também pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado e suposto operador financeiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os dois estão presos.

“Ao longo do histórico das atividades sociais da Fundação Oásis, os projetos têm como princípios básicos a garantia da primazia do bem-estar da família, como elemento-chave para a proteção e a socialização dos proprietários, por meio da transmissão do capital cultural, do capital econômico e ético, que determina a Carta Maior de nosso País, a Constituição Federal de 1988”, informa o site da Fundação Oásis.

A CPMI do INSS desconfia do possível envolvimento da Igreja da Lagoinha desde que o Metrópoles revelou que o empresário Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, teria patrocinado evento de Réveillon promovido pela entidade religiosa no estádio Allianz Parque, do Palmeiras, em 2024.

Também há suspeitas sobre a atuação da Clava Forte Bank, fintech ligada à Igreja da Lagoinha. Mas a CPMI do INSS nunca conseguiu convocar representantes dessas instituições para prestar depoimento.

O que diz o presidente da CPMI do INSS

À coluna, Carlos Viana negou que tenha havido conflito de interesses ao exercer os cargos de senador e de apresentador de televisão ao mesmo tempo. Também exaltou o fato de ter trabalhado para uma emissora pertencente à Igreja da Lagoinha.

Leia a íntegra da nota enviada por Carlos Viana:

“O senador é jornalista de formação e exerceu a profissão por mais de 23 anos, tendo atuado em diversas emissoras de televisão e rádio. Em Belo Horizonte, seu trabalho é amplamente reconhecido pela população.

Teve a honra de integrar os quadros da Rede Super, assim como de outras emissoras ao longo de sua trajetória profissional, sempre no exercício legítimo da atividade jornalística.

Sua participação como apresentador ocorreu nesse contexto profissional e não possui qualquer relação com o exercício do mandato parlamentar ou com a destinação de recursos públicos.

Não há qualquer irregularidade ou conflito de interesse.”



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