A mulher apontada pela Polícia Civil de São Paulo como dona da transportadora que lavava dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) recebeu Bolsa Família enquanto movimentou milhões de reais do crime organizado.
Elidiane Saldanha Lopes Lemos é uma das personagens principais da investigação policial que culminou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra, na última quinta-feira (21/5). Foi por meio da empresa dela e de seu marido, Ciro Cesar Lemos, que a polícia descobriu o esquema de lavagem de dinheiro que levou à Operação Vérnix nesta semana (entenda abaixo).
Nas contas bancárias ligadas à transportadora do casal, a Lado a Lado, um montante de mais de R$ 20 milhões foi movimentado entre os anos de 2015 e 2019. A quebra do sigilo bancário nas contas pessoais de Elidiane também mostrou uma movimentação de mais de R$ 1 milhão, que seria ligado ao crime.
A mulher, mesmo assim, se manteve cadastrada no Bolsa Família, recebendo entre R$158 e R$ 182 por mês até 2017.
O Metrópoles apurou que Elidiane se vinculou ao programa federal para receber o benefício antes de abrir a transportadora Lado a Lado, em janeiro de 2013. O cadastro seguiu ativo quando ela abriu a empresa com um capital inicial de R$ 150 mil em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
O esquema da lavagem
As investigações da Polícia Civil mostraram que ela e o marido usavam a transportadora, cujo nome oficial era Lopes Lemos Transportes Ltda., para lavar o dinheiro do crime organizado.
Os agentes chegaram até o casal por causa dos bilhetes encontrados na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Uma das mensagens citava uma “mulher da transportadora”.
Os policiais, então, passaram a buscar por empresas do ramo de transportes que tinham mulheres em cargos de chefia e foram cruzando as informações com a ficha criminal dos sócios. Quando chegaram na transportadora Lado a Lad”, que ficava literalmente ao lado da penitenciária, eles descobriram que Elidiane e o marido já tinham passagens pela polícia.
A investigação sobre a movimentação financeira da empresa mostrou inconsistências, indicando um possível uso para lavagem de dinheiro. Foi através de um celular encontrado durante um mandado de busca e apreensão contra o casal, no entanto, que a polícia conseguiu descobrir os elos de ambos com o PCC.
O celular trazia trocas de mensagens que indicaram um vínculo dos investigados com nomes como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola; o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho; e a advogada e influencer Deolane Bezerra, entre outros. Nesta quinta-feira (21/5), Deolane foi presa durante a Operação Vérnix. Elidiane e Ciro estão foragidos.



