O senador Ciro Nogueira reagiu nesta sexta-feira (8/5) após ser alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), nessa quinta (7/5). Em nota publicada nas redes sociais, o parlamentar afirmou ser vítima de “perseguição política” e disse que tentam “manchar” sua honra pessoal em anos eleitorais.
“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu o senador. Ciro também relembrou a eleição de 2018, quando, segundo ele, teria sido alvo de acusações semelhantes. “O povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário”, afirmou.
A operação da PF foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional relacionados ao chamado caso Banco Master.
“Suportar esse tipo de pressão só é possível pra quem nasceu pra servir o povo. E eu digo, nada me faz abandonar o povo que confia em mim. Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons”, disse Nogueira.
Operação
Na quinta-feira (7/5), policiais federais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária no Distrito Federal, Piauí, São Paulo e Minas Gerais. No DF, os agentes estiveram em endereços ligados a Ciro Nogueira. O empresário Felipe Cânçado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente.
Segundo a investigação, o senador teria recebido repasses mensais do grupo ligado ao banqueiro, inicialmente estimados em R$ 300 mil e que poderiam ter chegado a R$ 500 mil por mês. A PF sustenta que a relação entre Ciro e Vorcaro ultrapassava “mera amizade” ou “atuação política regular”, apontando supostas trocas financeiras e políticas.
Entre os pontos destacados pelos investigadores estão a compra, por empresa ligada ao senador, de uma participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, além da disponibilização de imóvel de alto padrão, viagens internacionais e outras despesas custeadas pelo grupo investigado.
A PF também afirma ter encontrado mensagens em que Daniel Vorcaro comenta que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central, apresentada por Ciro Nogueira, “saiu exatamente como mandei”.


