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Como a polícia localizou em Maceió o idoso que desapareceu há 13 anos


Investigação iniciada durante a Operação Virtude revelou que o homem que vivia sem memória em um abrigo de Alagoas era Edson Almeida Nunes, de Brasília, desaparecido desde 2013

PC-AL

O caso de Edson Almeida Nunes, idoso que viveu por 13 anos sem contato com a família em uma instituição de acolhimento no Sertão de Alagoas, começou a ser solucionado a partir de uma visita de rotina da Polícia Civil. O que inicialmente fazia parte das ações da Operação Virtude, voltada à proteção da pessoa idosa, acabou revelando uma história marcada por desaparecimento, perda de memória e um reencontro familiar aguardado há mais de uma década.

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A descoberta aconteceu durante uma visita da Delegacia de Vulneráveis ao Lar São Vicente de Paula, em Santana do Ipanema. A equipe realizava atividades de conscientização e fiscalização relacionadas ao Junho Violeta, campanha nacional de combate à violência contra idosos, quando tomou conhecimento da situação de um morador que vivia na instituição sem que sua verdadeira identidade fosse conhecida.

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A história chamou a atenção dos policiais. O idoso havia chegado ao local em 2013, após sofrer um acidente. Na época, ele foi encontrado ferido, sem portar documentos e sem conseguir informar sequer o próprio nome. Após receber atendimento médico, acabou sendo encaminhado ao abrigo por não ter familiares identificados.

Segundo a delegada Rebecca Cordeiro, responsável pela Operação Virtude em Alagoas, o homem permaneceu durante anos sem conseguir se comunicar adequadamente. A ausência de memória e de informações pessoais impediu qualquer tentativa de localizar parentes ou descobrir sua origem.

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Com o passar do tempo, porém, houve uma pequena evolução. Cerca de cinco anos atrás, ele recuperou parcialmente a fala e conseguiu revelar apenas duas informações: que se chamava Edson e que era natural de Brasília. Apesar de representar um avanço, os dados eram insuficientes para uma identificação oficial.

Sem sobrenome, documentos ou qualquer outra referência, as buscas realizadas na época não produziram resultados. O nome informado pelo idoso era comum e não havia elementos que permitissem restringir as consultas aos sistemas disponíveis.

Foi justamente esse detalhe que despertou o interesse da equipe da Delegacia de Vulneráveis durante a visita à instituição. Ao ouvir a história, os policiais decidiram aprofundar a investigação para tentar descobrir quem era o homem acolhido havia mais de uma década.

O primeiro passo foi analisar toda a documentação existente no prontuário do idoso. Durante essa consulta, os investigadores encontraram registros importantes, entre eles impressões digitais coletadas quando ele precisou emitir um documento para ter acesso a direitos civis básicos.

A partir desse material, a Polícia Civil acionou o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID), iniciativa coordenada em Alagoas pelo Ministério Público Estadual. O órgão passou a atuar em conjunto com os investigadores na tentativa de identificar o homem.

Os dados reunidos foram então encaminhados para consulta no banco nacional de impressões digitais da Polícia Federal. Diferentemente das buscas realizadas anos atrás, a pesquisa utilizou um sistema integrado que reúne informações de diversos estados brasileiros.

O resultado veio rapidamente. O cruzamento biométrico apontou uma correspondência positiva e revelou a verdadeira identidade do idoso: Edson Almeida Nunes.

A descoberta colocou fim a um mistério que durava desde 2013. Pela primeira vez em 13 anos, os órgãos de segurança conseguiram associar oficialmente o homem acolhido em Santana do Ipanema a um nome completo, uma origem e uma família.

Com a identificação confirmada, a força-tarefa entrou em uma nova fase. Utilizando os dados obtidos no sistema, os responsáveis pelo caso iniciaram o rastreamento de possíveis parentes.

O trabalho levou à localização de três irmãos de Edson, que vivem em Brasília. Segundo a Polícia Civil, os familiares receberam a notícia com emoção, já que não tinham informações sobre o paradeiro dele havia mais de uma década.

De acordo com Rebecca Cordeiro, o caso evidencia a importância da integração entre os órgãos públicos e dos avanços tecnológicos aplicados às investigações. Quando Edson foi acolhido na instituição, os sistemas de consulta e compartilhamento de informações ainda eram limitados, o que dificultava a localização de pessoas desaparecidas.

A delegada também destacou que a situação reforça a importância da comunicação entre hospitais, instituições de acolhimento e autoridades policiais sempre que uma pessoa sem identificação é encontrada.

O reencontro entre Edson e os irmãos ainda está sendo organizado, mas a principal etapa já foi concluída. Graças a uma sequência de ações que começou com uma simples visita de fiscalização e terminou com um cruzamento nacional de impressões digitais, um homem que passou 13 anos sem identidade conhecida voltou a ter nome, história e família.



Fonte: Gazetaweb