O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) decidiu, em assembleia extraordinária nesta quarta-feira (5/8) encerrar a greve na Companhia Paulista Metropolitana de Trens (CPTM). Mais cedo, em reunião com a categoria no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), representantes do governo de São Paulo se comprometeram a enviar à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) um projeto de lei que garantisse a manutenção dos empregos nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, concedidas à iniciativa privada.


Estação Brás da CPTM
Gabrielle Gonçalves/Metrópoles

Estação Brás da CPTM
Gabrielle Gonçalves/Metrópoles

Trânsito em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Trânsito em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Trânsito em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Trânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/Metrópoles

Trânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/Metrópoles

Trânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/Metrópoles

Trânsito em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Greve da CPTM começou na terça-feira (4/8), afetou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e acabou com acordo de empregos dos ferroviários
Gabrielle Gonçalves – Metrópoles
Com a decisão, os ferroviários retornaram ao trabalho imediatamente. Por volta das 20h, o painel informativo da CPTM indicava que a operação nas três linhas já havia sido regularizada.
O movimento paredista completou dois dias nesta quarta-feira. Passageiros voltaram a enfrentar filas e superlotação nas estações de metrô e trem da capital. Uma passageira relatou ao Metrópoles que chegou 4h30 atrasada no trabalho. Ela mora em Artur Alvim, na zona leste da capital, e trabalha próximo à estação Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, cidade da região metropolitana de São Paulo.
Os ferroviários protestavam contra a concessão das linhas 11, 12 e 13, antes da CPTM, à Trivia Trens e a sequência de falhas desde que a empresa assumiu o controle operacional. O desgaste ficou ainda maior após um trem da Linha 12-Safira pegar fogo na manhã do dia 23 de julho. Em resposta, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM retomaria, por até três meses, a operação atuando junto à Trivia.
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do Metrópoles SP
Dos 157 votantes na assembleia convocada para esta quarta, 131 deliberaram pelo retorno ao trabalho, ante 26 votos contrários, conforme o sindicato. A categoria permanece, no entanto, em estado de greve, podendo voltar a paralisar as atividades a qualquer momento, caso o governo estadual não cumpra sua parte.
Também ficou decidido que os ferroviários da CPTM não irão mais ensinar suas funções para a equipe da nova concessionária.
Antes do início da votação na subsede do sindicato no Brás, região central de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já havia adiantado, em coletiva de imprensa, que apresentaria à Alesp o texto que estabelece a absorção ou cessão dos trabalhadores por órgãos da administração pública estadual durante o processo de desestatização. Na oportunidade, Tarcísio afirmou que o envio seria feito somente caso a categoria se comprometesse a retomar a operação até a hora do rush desta quarta.
Caso os ferroviários decidissem pela continuidade da greve, a Justiça do Trabalho já havia determinado que 90% dos funcionários deveriam trabalhar em horários de pico e 70% nos demais horários. Em caso de descumprimento, o Tribunal fixou em R$ 5 milhões a multa diária aplicada à entidade, a partir de quinta (6/8).
No próximo dia 19 de agosto, a categoria volta a se reunir com o governo estadual para assinatura de um novo acordo coletivo que ratifique tudo aquilo que foi proposto em reunião anterior e aprovado na assembleia. Uma das exigências dos grevistas era de que o acordo também contemplasse os funcionários da Linha 10–Turquesa, atualmente a única que ainda segue sob gestão da CPTM — apesar de a gestão Tarcísio já ter sinalizado, no passado, interesse em concedê-la à iniciativa privada.
Entenda a greve
- O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) decidiu paralisar as atividades a partir da meia-noite de terça-feira (4/8). A medida, aprovada em assembleia na tarde de segunda (3/8), atingia as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, do sistema ferroviário de São Paulo.
- Na semana passada, os ferroviários já haviam aprovado indicativo de greve para a data, caso não houvesse avanço nas negociações com o governo de São Paulo.
- Lideranças da categoria se reuniram, no primeiro dia, com representantes do governo estadual na sede da Secretaria da Casa Civil, mas o encontro terminou sem acordo entre as partes.
- Entre as reivindicações da categoria, estavam a reestatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, concedidas à Trivia Trens, a garantia de todos os empregos na CPTM e a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), com o apoio do governo. O texto prevê a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual após concessões.
- Com a paralisação, as linhas 11-Coral e 12-Safira funcionaram em operação parcial desde a manhã de terça-feira. A 13-Jade teve o serviço interrompido por completo.
Quase 1 milhão de passageiros afetados no 1° dia de greve
Os impactos da greve nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram sentidos logo na manhã de terça-feira (4/8) nas estações do Metrô de São Paulo. Algumas linhas como a 1-Azul e 3-Vermelha registraram trens e plataformas mais lotadas que o normal para o horário, além de filas nas catracas. A região mais atingida foi a zona leste, a mais populosa de São Paulo e atendida pelas linhas paralisadas.
Um vídeo mostra a fila nas catracas da estação Itaquera do metrô por volta de 6h de terça-feira. Veja:
Para minimizar os impactos da paralisação, um plano de contingência precisou ser acionado. Na capital paulista, o rodízio de veículos foi suspenso pela prefeitura. Já o governo de São Paulo informou que os ônibus da operação Paese foram acionados para atender os passageiros nas estações mais afetadas das Linhas 11,12 e 13.
O Metrô também adotou medidas para reduzir os impactos: as estações das Linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata tiveram suas aberturas antecipadas para as 4h da manhã. Na Linha 3, foram adicionadas mais composições à circulação, e trens vazios podem ser enviados às estações que apresentarem maior lotação ao longo do dia.
A Polícia Militar (PM) aumentou o número de agentes no entorno das estações afetadas pela greve. Os passageiros que precisam pegar trens observam, na manhã desta terça-feira (4/8), um contingente acima do comum perto das estações atingidas, especialmente na região leste da capital paulista.




