De personagens do filme Os Caça-Fantasmas a turma do desenho Scooby-Doo, a Polícia Civil de São Paulo tem demonstrado criatividade nas fantasias utilizadas pelos policiais que se disfarçam de foliões para surpreender assaltantes dentro dos blocos do Carnaval paulistano.
A atuação faz parte de uma estratégia desenvolvida há alguns anos pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para reprimitir, principalmente, furto e roubo de celulares durante a folia.
O sucesso de algumas dessas ações já rendeu memes nas redes sociais e inspirou até um samba-enredo sobre a atuação da polícia paulista no Carnaval que foi compartilhado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O Metrópoles procurou a diretora do DHPP, delegada Ivalda Aleixo, nesse domingo (15/2), para entender como são escolhidas as fantasias usadas pelos policiais e como funciona a operação especial de combate ao crime nos blocos de Carnaval.
Segundo ela, a escolha e compra das fantasias é feita voluntariamente pela própria equipe e leva em consideração a mobilidade necessária para a atuação dos policiais no meio dos blocos e nas abordagens aos suspeitos.
“Escolhemos e procuramos aquelas fantasias que permitem mobilidade, fácil compreensão e remoção numa eventualidade. Temos, ainda, fantasias aleatórias e espalhadas entre os foliões para nos darem apoio”, explica Ivalda.
Ao todo, 30 agentes são destacados para essas ações especiais nos dias de Carnaval, além de outros policiais fixos em tendas da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para orientar foliões e encaminha-los às unidades policiais mais próximas. Duas viaturas policiais ficam disponíveis para esse transporte.
As escolhas dos locais onde estes policiais fantasiados vão permanecer segue um trabalho de inteligência e mapeamento a partir de grandes eventos anteriores, como o do Ano-Novo, e do monitoramento em tempo real das câmeras e dos drones que filmam os blocos.
“Acompanhamos as evoluções dos blocos com o maior número de foliões e onde as comunicações de furto e roubo de celular sobem”, afirma Ivalda, que destacou a efetividade dessa estratégia de disfarce dos policiais in loco.
Para ela, as prisões de ladrões é o primeiro passo para desarticular esse tipo de crime, mas é importante o foco no levantamento de quem adquire produtos roubados. “Tentamos identificar, além das prisões em flagrante, os receptadores. Pessoas que compram diariamente celulares de furto e roubo na cidade”.
Prisões e repercussão
O sentimento de dever cumprido vem justamente no momento das prisões, afirma Ivalda. Em grande parte destas ações, a população comemora e elogia o trabalho policial.
“Claro que gostamos, pois demonstra que temos o apoio e estamos no caminho correto. O mais importante é que nunca tivemos um caso de violência ou resistência por surpreendermos o ladrão, e ele perceber que há tanto os policiais fantasiados, como outros no apoio das capturas”.
Entre os casos de destaque, a diretora do DHPP pontuou um em que participou diretamente na prisão de um casal de suspeitos. “No fim de semana pré-Carnaval, eu estava fantasiada como ‘Fantasminha’ e prendemos uma mulher que estava com cinco celulares. Assim que a levamos para a viatura, pois suspeitávamos da participação de parceiros, outros policiais detiveram um homem com mais aparelhos. Quando o levaram também à viatura, veio a surpresa: ele era marido da mulher presa por nós, e começou a rir por não acreditar que tinham sido capturados pelos ‘Caça-Fantasmas do DHPP’”, revela.
Os policiais também adotam medidas de segurança para evitar qualquer tipo de eventualidade, como não causar transtorno aos foliões durante as prisões, tampouco riscos à segurança dos detidos sob suspeita de furto e roubo de celulares na cidade.



