Coruripe demole 11 barracas na Orla da Lagoa do Pau para requalificação do espaço


Onze estabelecimentos situados na Orla da Lagoa do Pau, em Coruripe, litoral sul de Alagoas, passam por demolição como parte de um processo de reorganização e requalificação do espaço público. A ação foi determinada após processo ajuizado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). A reorganização do local teve início em 2016.

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As estruturas estão sendo removidas em um canteiro de obras onde o movimento de máquinas é intenso. Poeira e restos de construção formam a paisagem em contraste com o mar.

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A SPU motivou a ação pela ocupação irregular da área de marinha. Os empreendedores foram notificados pelo poder público sobre a situação.

“Nós fomos notificados pelo poder público, pela SPU, por conta da ocupação da área de marinha”, explicou um dos barraqueiros afetados.

Na gestão do prefeito Marcelo Beltrão, a administração municipal procurou a SPU e o Ministério Público. Uma solução amigável foi encontrada para que os empreendedores pudessem continuar exercendo suas atividades. Os barraqueiros procuraram a prefeitura para sensibilizar o órgão público e buscaram entender a situação para encontrar uma solução que permitisse a continuidade das atividades sem prejuízo ao meio ambiente.

Projeto de reorganização prevê investimento de cinco milhões de reais

Após a demolição, a Prefeitura de Coruripe assumirá a administração do espaço. O projeto de reorganização da orla gira em torno de cinco milhões de reais. A previsão é que a etapa, iniciada a partir de segunda-feira, termine ainda este ano. A administração fará novamente a concessão para ocupação.

O projeto prevê a reconstrução de todas as estruturas padronizadas como eram. Serão nove estabelecimentos do tipo restaurante e dois menores. Um complexo esportivo será construído no início. O passeio será totalmente repaginado, além de estruturas de lazer e esportiva.

“Nós vamos reconstruir todas as barracas padronizadas como eram, nove barracas do tipo restaurante, duas menores, além de complexo esportivo que vai ser no início, faremos também o passeio totalmente repaginado, além de estruturas de lazer e esportiva”, detalhou um representante da administração municipal.

Empreendedores terão espaço provisório durante as obras

Marcos é um dos empreendedores afetados pela demolição. Durante 15 anos, ele sobreviveu do que tirava da barraca que ficava neste espaço.

“Tudo que a gente tem hoje, a gente conseguimos daqui. E hoje ver nessa situação, é difícil, muito difícil. Mesmo sabendo que era uma coisa programada, que a prefeitura está dando todo o apoio, mas é difícil”, relatou o empreendedor.

Para minimizar danos, em acordo firmado entre empreendedores e prefeitura, um espaço provisório será cedido durante as obras. A medida tem o intuito de que barraqueiros possam continuar a comercializar seus produtos.

“Nós fizemos, paralelamente, outras barracas aqui do lado da obra, para que eles possam comercializar sem ter nenhum prejuízo financeiro”, informou um representante da administração municipal.

O acordo foi conversado com todos os barraqueiros e com a comunidade, para não prejudicar a demanda do dia a dia e a sobrevivência dos trabalhadores.

O período pós-obra preocupa os empreendedores. Depois de tudo pronto, eles terão de passar por um processo licitatório para continuar como permissionários e exercer suas funções no local.

“Nós vamos fazer um processo licitatório, que vão participar o pessoal de volta das barracas e o que nós queremos é isso, é que todos os permissionários que estão hoje, atualmente, dentro das barracas, continuem podendo comercializar os produtos e gerando renda e emprego aqui para o nosso município de Coruripe”, afirmou um representante da administração municipal.

A administração municipal esclareceu que não há garantia de permanência para todos os barraqueiros, pois é necessário seguir as normas e a legislação vigente. A administração manifestou o desejo de que os atuais ocupantes permaneçam. Caso ocorra algum impedimento para que algum dos atuais permissionários não possa participar do processo, a situação será analisada conforme os procedimentos legais estabelecidos.

Zayne administra a cozinha de um dos empreendimentos. Ela cresceu correndo entre a barraca do pai e o mar. Agora torce para voltar ao espaço após a conclusão das obras. A empreendedora cresceu trabalhando na barraca do pai desde os 7 anos de idade. A barraca da família foi a primeira instalada no local e acumula aproximadamente 32 anos de atividade.

“Eu cheguei aqui por volta de 7 anos de idade, nossa barraca foi a primeira, a gente já tem por volta de 32 anos de trabalho, de luta, né, de alegrias, de muita história”, relatou a empreendedora.

Ela afirmou que agora é necessário aguardar os procedimentos para a licitação e providenciar toda a documentação necessária, incluindo licenças exigidas, com a expectativa de conseguir retornar ao espaço.

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Fonte: Gazetaweb