CRB vira, respira e volta a se reconhecer


Dadá Belmonte marcou o primeiro gol do Galo no jogo. — Foto: Lucca Morais/CRB

O CRB começou o jogo na Arena Independência repetindo um problema que já virou alerta: a desatenção em momentos decisivos. Logo aos 9 minutos, na bola parada, Mikael não conseguiu fazer o corte, Emerson atacou a bola e colocou o América na frente.

Sair perdendo para o lanterna, fora de casa, poderia ter derrubado emocionalmente o time. Mas a resposta veio no jogo. Desde a vitória contra o Sousa, o CRB voltou a mostrar o DNA de Eduardo Barroca, com o trio de meio campo como vetor principal da equipe.

A jogada do empate traduziu isso. Patrick de Lucca encontrou Danielzinho entre linhas. O meia dominou orientado, atraiu o zagueiro e abriu um espaço enorme entre os defensores do América. Pedro Castro percebeu, infiltrou, recebeu e finalizou forte. A bola explodiu na trave, e no rebote Dadá Belmonte, com lucidez e oportunismo, empatou a partida. Lei do ex ativada na noite mineira.

O CRB terminou o primeiro tempo melhor. Mais presente no campo ofensivo, mais organizado com a bola e mais próximo da virada.

No intervalo, ficou evidente que Barroca sabia que Roger Silva tentaria levar o América para o tudo ou nada. O CRB passou a encontrar espaços para transições e ganhou força quando o treinador americano, inexplicavelmente, retirou Segovinha, jogador que vinha causando desconforto pelo lado esquerdo da defesa regatiana. Sem essa ameaça, Lucas Lovat cresceu no jogo.

LUCAS LOVAT DESTAQUE DO CRB. (Foto: Divulgação/CRB)

As substituições também ajudaram o CRB a rejuvenescer a equipe sem perder padrão ofensivo. Luiz Phellipe quase marcou após boa jogada de Lovat. Depois, veio o lance da virada, iniciado com coragem por Wallace, que conduziu e achou Estrella. O meia dominou bem e acionou Guilherme Pato.

Pato fez o que gosta: trouxe para dentro e cruzou procurando Luiz Phellipe. Ninguém interceptou, o atacante não alcançou, e a bola morreu direto no fundo das redes. Gol do Galo. Gol da virada. Gol do alívio.

Antes de entrar, Barroca teria dito a Pato que ele decidiria o jogo em uma bola. Futebol também tem dessas coisas: às vezes, a frase vira roteiro.

Jogadores comemoram gol na vitória do CRB sobre o América-MG. — Foto: Lucca Morais/CRB

A vitória por 2 a 1 sobre o América tem peso maior que os três pontos. O CRB conquistou a segunda vitória consecutiva, a primeira na Série B, e recuperou um ambiente de tranquilidade depois de semanas de pressão.

Agora, diante do seu torcedor, o desafio será confirmar essa reação contra o perigoso Operário, no Rei Pelé. A virada em Belo Horizonte devolveu confiança. Mas confiança, no futebol, só vira caminho quando ganha sequência.



Fonte: Gazetaweb