O CSA estreou na Série D vencendo, e estrear vencendo sempre tem valor. Tira peso, gera confiança e entrega ao torcedor a sensação de que o caminho pode, sim, começar a ser pavimentado.
Mas convém analisar a estreia com mais critério do que empolgação.
As dificuldades da partida passaram muito pelo tipo de adversário que o CSA encontrou. O Atlético de Alagoinhas veio visivelmente para se defender. Não foi um time que tentou competir por uma bola, nem agredir em transição, nem incomodar a saída azulina. Foi para fechar espaços, estacionar um ônibus na frente do gol e tentar sobreviver. Isso naturalmente aumenta o volume ofensivo de quem ataca, mas também impede conclusões apressadas, sobretudo na parte defensiva.
Sem Mateus Melo, suspenso, a engrenagem sentiu uma baixa considerável. Pela adaptação que ele já tem ao modelo de Moacir Júnior, sua ausência mexe no funcionamento. Mesmo assim, o CSA foi superior e no segundo tempo transformou a superioridade em placar. Fez três, poderia até ter feito mais.
Os laterais estreantes passaram uma imagem inicial de consistência, embora o jogo não tenha oferecido uma exigência defensiva mais séria. Ainda assim, já se percebe algo importante, o elenco começa a ganhar competitividade, e isso é fundamental para uma campanha longa e exigente.
Rian Santana continua vivendo grande fase e mais uma vez fez um grande jogo. Mateus Sacramento, visivelmente ainda em busca de ritmo, teve uma estreia regular. Lucas Silva já mostrou seu cartão de visita, velocidade e presença ofensiva.
Mas uma das falas mais reveladoras da coletiva veio quando Moacir Júnior comentou sobre Kaylan. Enquanto muita gente já tratava o volante como jogador pronto, o treinador foi no alvo. Disse que, quando chegou, falou para ele que com sua orientação tinha que passar para frente, e não para o lado ou para trás. Foi uma observação simples, mas certeira. Ali, Moacir expôs com clareza o que ainda faltava no jogador, e não por acaso Kaylan abriu o caminho da vitória e foi muito participativo no jogo. Quando o treinador corrige com precisão, a evolução aparece no campo.
Talvez o melhor sinal da estreia nem tenha sido o 3 a 0. Foi ouvir do próprio Moacir que o time ainda está longe do que precisa para buscar o acesso.
A frase é importante porque freia a euforia e aponta a realidade. O modelo exige intensidade, e intensidade se sustenta com elenco mais robusto.
Moacir não quis falar publicamente sobre posições, mas o campo já deixa pistas, o CSA ainda parece precisar de um zagueiro de velocidade, um centroavante, mais um extremo canhoto, meia e um goleiro experiente


