No Brasil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, abriu em queda de 1,5%, a 125 mil pontos, acumulando perdas de 7 pontos nos últimos sete pregões. A cotação do dólar, no mercado brasileiro chegou a atingir a máxima de R$ 5,93, parecendo caminhar para R$ 6..
O pânico nos mercados refletia as esperadas consequências da guerra tarifária deflagrada pelo presidente americano Donald Trump. Há grande convergência de análises apontando um futuro de recessão global com pressões inflacionárias disseminadas, se o comércio internacional embarcar numa nova onda protecionista.
A relativa moderação nas cotações ao longo do dia parecia indicar a expectativa de que quanto mais os mercados afundassem, mais Trump seria pressionado a aceitar uma pausa na imposição de tarifas às importações americanas, aceitando negociar taxações menores. Prevalecem, contudo, as incertezas sobre o comportamento dos mercados, nos próximos dias.
As suposições de que a guerra tarifária conduzirá a uma recessão global estão sendo rapidamente antecipadas nos mercados internacionais de commodities. O destaque são as quedas nas cotações do petróleo, que já há alguns dias vêm indicando a perspectiva de recuos na produção, com menor demanda pelo ainda relevante combustível dos motores da atividade econômica mundial.
As primeiras reações de Trump têm sido negativas, contudo, para os que especulam ser a política de imposição de tarifas uma estratégia para negociar novas condições comerciais com os países exportadores para os Estados Unidos. Até aqui, o presidente americano parece disposto a bancar perdas iniciais com sua disruptiva política, convicto de que conseguirá zerar os déficits comerciais americanos e recuperar o domínio da indústria americana — impulsionando, em consequência, empregos, investimentos e crescimento econômico.
Crenças neste círculo virtuoso, porém, não são compartilhadas nem mesmo por apoiadores de Trump. São quase unânimes as previsões de que a imposição de tarifas de importação contra o resto do mundo não será capaz de eliminar os déficits comerciais americanos, produzindo apenas uma dança global entre importadores e exportadores, com contração na atividade e elevação dos custos de produção, além de disseminar instabilidades econômicas e políticas.
Por isso, a suposta estratégia trumpista de forçar uma recessão para derrubar as taxas de juros e desvalorizar o dólar, reforçando o objetivo de reerguer a indústria americana, é considerada não só de altíssimo custo, como inconsistente.



