Sentir sede o tempo todo, mesmo bebendo bastante água, pode parecer apenas um hábito. Mas quando ela vem acompanhada de grande volume de urina clara, inclusive durante a madrugada, o quadro pode indicar um distúrbio hormonal chamado diabetes insipidus.
Apesar do nome, a condição não tem relação com o aumento de açúcar no sangue. Diferentemente da diabetes mellitus, a diabetes insipidus ocorre quando há alteração na produção ou na ação da vasopressina, hormônio responsável por controlar o equilíbrio de água no organismo.
A vasopressina, também conhecida como hormônio antidiurético (ADH), é produzida no hipotálamo e armazenada na hipófise. Sua principal função é sinalizar aos rins que reduzam a eliminação de água pela urina. Quando esse mecanismo falha, o corpo perde líquido em excesso e a pessoa passa a sentir sede constante.
A endocrinologista Deborah Beranger da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), explica que os sintomas clássicos estão ligados justamente a essa falha hormonal e o resultado é um ciclo: quanto mais líquido o corpo perde, maior é a necessidade de reposição.
“Ela tem a função de regular a quantidade de água no corpo. Esse hormônio envia sinais aos rins para diminuírem a quantidade de urina que eles produzem. Com a sua ausência, os sintomas clássicos são sede excessiva e muita produção de urina”, afirma.
Sintomas que merecem atenção
O principal sinal da doença é a produção excessiva de urina (poliúria). Em pessoas saudáveis, a ida ao banheiro costuma variar entre cinco e oito vezes por dia. Em pessoas com poliúria, o volume eliminado ultrapassa 3 litros em 24 horas.
A nefrologista Caroline Reigada, especialista em Medicina Interna pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, explica que essa produção exagerada pode impactar a rotina e indicar necessidade de investigação.
“A poliúria acontece quando os rins produzem mais urina do que o normal, fazendo com que o paciente precise urinar várias vezes ao dia em grande quantidade, geralmente mais de 3 litros em um período de 24 horas”, destaca a médica.
Principais sintomas da diabetes insipidus
- Sede intensa e persistente.
- Eliminação de mais de 3 litros de urina por dia.
- Urina muito clara e diluída.
- Necessidade de acordar várias vezes à noite para urinar.
- Preferência por líquidos gelados.
- Sinais de desidratação quando não consegue beber água.
Causas, diagnóstico e tratamento
A diabetes insipidus pode ser classificada em dois tipos principais. No tipo central, o problema está no cérebro, que deixa de produzir ou liberar adequadamente a vasopressina. Isso pode ocorrer após traumatismos cranianos, tumores, cirurgias ou doenças autoimunes.
Já no tipo nefrogênico, o hormônio é produzido normalmente, mas os rins não respondem ao seu estímulo. Esse quadro pode estar associado a alterações renais ou ao uso de medicamentos como o lítio.
O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue e urina que avaliam volume urinário e equilíbrio de eletrólitos. Em alguns casos, pode ser indicado o teste de privação hídrica, considerado referência para confirmar deficiência de vasopressina.
Embora não tenha cura definitiva, a condição pode ser controlada. O tratamento depende da causa e pode incluir o uso de desmopressina, versão sintética do hormônio antidiurético, que ajuda a reduzir a produção excessiva de urina e restabelecer o equilíbrio hídrico.
Diante de sede persistente e aumento expressivo do volume urinário, a recomendação é procurar ajuda médica. Identificar o problema precocemente ajuda a evitar desidratação e melhora na qualidade de vida.




