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Distribuidora alagoana fatura R$ 1,74 bi e lidera ranking do setor pelo décimo ano seguido


Grupo Andrade é a segunda maior empresa do NE em seu segmento e aposta em IA e capacitação para sustentar liderança

Premiado três vezes na 45ª Convenção Nacional da ABAD, em SP, o Grupo Andrade é a maior distribuidora de Alagoas e de Sergipe e a segunda do Nordeste em seu segmento. André Rosa/Abad

O setor atacadista distribuidor brasileiro fechou 2025 com faturamento de R$ 616,6 bilhões, crescimento real de 11% sobre o ano anterior, segundo o Ranking ABAD/NielsenIQ divulgado durante a 45ª Convenção Nacional da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores, realizada em Atibaia (SP) nesta semana. Da convenção, uma distribuidora alagoana saiu com três prêmios: maior distribuidora de Alagoas em faturamento, maior distribuidora de Sergipe e o Destaque Distribuidor Estadual, premiação criada nesta edição para avaliar eficiência operacional, capilaridade e inovação, além do volume de vendas.

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O Grupo Andrade faturou R$ 1.74 bilhão em 2025, crescimento de 5,3% em relação a 2024, e lidera o ranking estadual pelo décimo ano consecutivo. É a única distribuidora alagoana a superar R$ 1 bilhão no levantamento, distância considerável em relação à segunda colocada, a Asa Branca Distribuidora, com R$ 975 milhões. A empresa também ocupa o primeiro lugar em Sergipe, pelo segundo ano consecutivo, com faturamento de quase R$ 580 milhões, e a sétima posição em Pernambuco, com pouco mais de R$ 263 milhões.

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O ranking completo das dez maiores distribuidoras de Alagoas em 2025:

  • Grupo Andrade — R$ 1.742.380.741,00
  • Asa Branca Distribuidora — R$ 975.947.256,53
  • Distac — R$ 814.068.672,18
  • Distribuidora Sorriso — R$ 468.520.897,68
  • Vieira Distribuidor — R$ 368.120.124,29
  • UP Distribuidora — R$ 309.727.413,23
  • Verdes Mares Distribuidora — R$ 300.004.811,02
  • Objetiva Distribuidora — R$ 292.836.416,30
  • Mascarenhas e Lins Distribuidora — R$ 253.449.718,92
  • Distribuidora Paris — R$ 221.203.652,43

O Nordeste concentrou R$ 48,86 bilhões do faturamento setorial em 2025 e reuniu 301 empresas no levantamento, 39,2% dos 768 respondentes. A região lidera o país nos modelos de atacado de balcão, distribuidor com entrega e autosserviço. A segunda posição regional do Grupo Andrade, no entanto, agrega distribuidores de modelos distintos, incluindo atacarejos e operações de autosserviço que não competem diretamente com a empresa.

O diretor comecial do Grupo Andrade, Paulo Bezerra, recebeu premiações da empresa alagoana em São Paulo. Maylson Honorato

“O segundo lugar no Nordeste inclui distribuidores de segmentos diferentes do nosso. Quando pegamos Alagoas, estamos na liderança. Em Sergipe, também. Mas, quando acumulamos Nordeste, entram outros players que, digamos, não atuam exatamente no nosso modelo. Não queremos discutir o método do ranking, mas vemos esse segundo lugar regional dessa maneira”, explica Paulo Bezerra, diretor de vendas do Grupo Andrade.

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Com 38 anos de mercado e operações em três estados, a empresa construiu sua posição sobre um modelo que Bezerra resume em três pilares: equipe de vendas preparada, back office alinhado e logística eficiente. O terceiro é também o principal gargalo. A capilaridade da operação, que chega a canais muito pulverizados, encarece estruturalmente a entrega fracionada. O grande desafio, aponta Bezerra, é a escassez de mão de obra qualificada para o setor.

“A logística é um dos principais desafios em todo o país, inclusive em Alagoas. No nosso caso, encarece muito a operação porque a gente entra em muitos canais. Esse menor canal acaba puxando muito a nossa logística. Mas uma das coisas com que temos sofrido bastante chama-se mão de obra qualificada para o setor. Essa é nossa grande luta, nosso grande desafio”, afirma Bezerra.

A empresa reestruturou recentemente a área de transporte e investiu em intralogística, buscando ganhos de eficiência sem abrir mão da capilaridade que é, ao mesmo tempo, seu maior custo e sua vantagem competitiva.

Constatino Tavares, executivo da Acadeal; Paulo Bezerra, diretor de vendas do Grupo Andrade; Danilo Cavalcante, gerente de compras do Grupo Andrade; e Almir Rogério da Silva, presidente da Acadeal. Maylson Honorato

Em Alagoas, o avanço do atacarejo, formato que em Pernambuco pressiona diretamente os distribuidores tradicionais, encontrou resistência do próprio mercado, segundo o diretor de vendas do Grupo Andrade. Uma loja aberta recentemente em Arapiraca não teve o sucesso esperado, por exemplo, o que, para Bezerra, expõe essa diferença na estrutura do varejo local.

“Os atacarejos aqui não têm uma presença tão expressiva quanto em Pernambuco, onde essa categoria predomina. Hoje, o atacarejo perde força em Alagoas”, avalia. Mesmo assim, a estratégia da empresa é trabalhar cada abertura de concorrente em três tempos. “Quando chega o atacarejo, a gente se prepara junto com o cliente, antes, durante e após a abertura, para fazer uma espécie de proteção. Se olhar hoje o mercado de crescimento por meio das lojas de vizinhança, onde somos fortes, isso é muito importante para o setor”, pontua.

Mercado em transformação

A mudança no comportamento do consumidor é outra variável que começa a reorientar os negócios. Os dados da NielsenIQ apresentados na convenção mostram que 70% das categorias retraíram em volume no primeiro trimestre de 2026 e que oito em cada dez brasileiros fazem compras com lista para controlar gastos. O faturamento do canal indireto cresceu 4,8% até abril, mas impulsionado pelo preço médio, não pelo volume.

Bezerra diz que o Grupo Andrade já sente essas mudanças nas ordens de compra dos clientes. “O mercado muda de uma forma muito rápida. O advento da saudabilidade faz com que as gôndolas dos supermercados estejam mudando drasticamente. Como nossa predominância não é alimento, a gente sente menos, mas os produtos premium estão se destacando em qualquer categoria, da higiene e beleza até os mais ligados à saudabilidade. Antigamente era light, diet. Hoje é zero açúcar”, reflete.

Grupo Andrade opera em três estados do Nordeste: Alagoas, Sergipe e Pernambuco. Divulgação

A popularização das canetas emagrecedoras entra nesse diagnóstico como fator de reorganização do orçamento familiar, com efeito direto sobre o que vai ao carrinho. Entre os usuários, 63% gastam mais de R$ 800 por mês com o tratamento, despesa que passa a disputar espaço com outros itens. “Isso implica uma mudança radical de consumo. O varejista que não entender isso rapidamente vai ficando para trás”, diz Bezerra.

Para os próximos anos, a expansão do Grupo Andrade não passa por novos estados. O plano é aprofundar a atuação onde a empresa já está – especialmente em Pernambuco, onde a operação é relativamente recente – e ampliar o portfólio por categorias. A empresa pretende, segundo seu diretor de vendas, entrar com mais força no segmento pet, por exemplo.

“Entendemos que há muita coisa para fazer ainda no estado em que temos uma operação mais recente. Sempre existe oportunidade de melhorar o que já temos, observar inovações e buscar aprimoramento contínuo. No Grupo Andrade, nós temos essa preocupação de não nos acostumarmos com o local em que estamos atualmente. O topo é um lugar onde a gente chega, mas precisa ter estratégia para se manter. É claro, já são 10 anos liderando esse mercado, porém entendemos que há muito o que se fazer”, afirma Bezerra.

“Hoje, inteligência artificial, dados e estratégias bem definidas são o que vai fazer a diferença. Tivemos uma jornada intensa de treinamento até o ano passado. Este ano estamos colocando em prática tudo o que foi visto. Um ponto que vejo como segredo da nossa liderança é a preocupação em formar e capacitar nossos colaboradores, dar oportunidade para que eles nos ajudem a encontrar soluções e, assim, nos mantermos nesse caminho de crescimento.”

O repórter viajou a Atibaia (SP) a convite da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD) para acompanhar a 45ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto – ABAD 2026.

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Fonte: Gazetaweb