Lançado na quarta-feira (5/8), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2025 (Ideb), levantamento do Ministério da Educação (MEC), classificou o ensino médio do Distrito Federal como um dos piores de todo Brasil. A capital federal está à frente apenas de cinco estados: Amazonas (AM), Amapá (AP), Bahia (BA), Maranhão (MA) e Roraima (RR).
Em contrapartida, Goiás, estado vizinho de Brasília, apareceu 10 vezes na lista das 20 escolas que obtiveram a maior nota no Ideb, ou seja, tiveram o melhor ensino. Além disso, cinco das 10 estão localizadas em Formosa (GO), entorno do DF. Veja lista completa abaixo:
O Colégio Estadual Doutor José Balduíno de Souza Décio, também localizado no entorno da capital, ocupa a posição de terceiro melhor ensino do Brasil.
O Ideb avalia, em uma escala de 0 a 10, o desempenho dos alunos e o percentual de aprovação no ano escolar. A pesquisa é uma das principais ferramentas de monitoramento da qualidade da educação.
DF é a única unidade da federação que teve queda na nota do Ideb
Em 2023, edição anterior do levantamento, o índice do DF tinha sido de 4,2. Já na edição atual, de 2025, a nota do DF caiu para 4,1. De todas as 27 unidades da Federação, Brasília foi a única que registrou esta queda.
Além disso, a média do país foi de 4,5, ou seja, a capital também está abaixo da média na qualidade do ensino. A meta do Ministério da Educação é que os estados atinjam a nota 5,2, desse modo, DF fica ainda mais longe do objetivo do órgão.
Veja abaixo a nota de todos estados:

Especialista em educação e coordenador do programa de stricto sensu em educação da Universidade Católica de Brasília (UCB), Renato Brito afirmou que o médio é a etapa que exige maior atenção, por reunir “maior complexidade curricular e um público em transição para vida adulta”.
“No DF, os principais desafios estão concentrados em três frentes: ampliar o acompanhamento pedagógico individualizado, fortalecer as habilidades essenciais em português e matemática — pilares avaliados pelo Saeb — e consolidar um monitoramento sistemático por escola, que permita intervenções cada vez mais precisas ao longo do ano letivo”.
Dentre as principais estratégias que precisam ser adotadas com urgência para que o DF não continue a cair no ranking do Ideb, Brito destacou o acompanhamento pedagógico contínuo, formação continuada de professores — com metodologias que dialoguem com o perfil do estudante adolescente — atualização do currículo e continuidade das políticas públicas.
“Como prioridade inicial, eu apontaria o monitoramento pedagógico contínuo por escola. É esse acompanhamento que permite direcionar, com mais precisão os investimentos em formação docente e em atualização curricular”.
O especialista ainda afirmou que o alto índice em outros estados, como Goiás, é resultado de quando “a educação é tratada como política de Estado ao longo de diferentes gestões”.
Em nota, a Secretária de Educação do Distrito Federal (SEEDF) reconheceu que precisam ser adotadas estratégias para melhorar a qualidade da rede.
“Nos Anos Finais, entretanto, os dados exigem a intensificação das ações, e o Ensino Médio constitui o principal ponto de atenção da rede. A estratégia para o próximo ciclo será ampliar, para os Anos Finais e para o Ensino Médio, a intensidade do acompanhamento pedagógico já adotado na alfabetização, com diagnóstico frequente, recomposição das habilidades essenciais, monitoramento por escola e apoio direcionado às Coordenações Regionais de Ensino (CREs)”, diz trecho da nota.
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Ensino médio é decisivo para vestibular
No Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a principal porta de entrada no ensino superior. A prova, que reúne conteúdo dos três últimos anos do colégio, possibilita que estudantes de todo país possam usar a nota tanto para ingressar nas universidades públicas, quanto concorrer à bolsas em instituições privadas.
Desse modo, o resultado do Enem é essencial para a chegada dos estudantes na graduação. Em paralelo a isso, esse é um dos principais motivos que explica porque a qualidade do ensino no médio é fundamental.
Renato Brito explicou que a etapa precisa ser vista como a mais decisiva de toda trajetória escolar, justamente por consolidar grande parte das habilidades exigidas nas provas de vestibular.
“É nesse período que se consolidam leitura crítica, interpretação de texto e raciocínio lógico-matemático — habilidades cobradas diretamente em vestibulares, no Enem e em processos seletivos técnicos. Um ensino médio robusto amplia a capacidade do estudante de ingressar e se adaptar com segurança ao ritmo do ensino superior. Indicadores como o Ideb funcionam justamente como ferramenta de orientação: ajudam a mapear onde investir esforços para que os jovens cheguem mais bem preparados às próximas etapas”.




