Após o fim do trânsito em julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), o Exército Brasileiro passou a cumprir mandados de prisão contra os militares do Núcleo 4 da chamada trama golpista, todos condenados por tentativa de golpe de Estado. Os mandados foram cumpridos na manhã desta sexta-feira (10/4).
Durante o julgamento que investigou a tentativa de golpe de Estado para reconduzir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao poder ilegalmente, o processo foi divido em quatro partes do STF. Nomeadas de núcleos, essas divisões tinham a intenção de agilizar o andamento do processo e melhorar o foco de análise de cada investigado.
O múcleo 4 é formado por sete pessoas. Veja quem são e as condenações:
- Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército condenado a 13 anos de prisão;
- Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército condenado a 17 anos de prisão;
- Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército condenado a 14 anos;
- Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército condenado a 13 anos;
- Reginaldo Abreu, coronel do Exército condenado a 15 anos;
- Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal condenado a 15 anos; e
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal condenado a 7 anos e 6 meses.
Investigação em núcleos
A divisão de uma investigação é uma medida prevista na legislação brasileira de processo penal, normalmente aplicada em processos considerados complexos, extensos ou com muitos envolvidos. Quando isso ocorre, os réus são divididos em núcleos que seguem uma lógica de contexto e de atuação, como o núcleo 4 da trama golpista.
Neste caso, todos os réus são acusados de terem praticado desinformação com a intenção de descredibilizar instituições públicas brasileiras — o que rendeu o nome de “Núcleo da Desinformação“. Os investigados neste núcleo tiveram atuações parecidas e, em muitos casos, em conjunto ou coordenadas.
Embora o STF avalie que as práticas tenham ocorrido no contexto da trama golpista, a atuação deste grupo difere do Núcleo 2, por exemplo, este condenado pela elaboração da “minuta do golpe”, pelo monitoramento e planejar o assassinato de autoridades, além de articulação dentro da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para dificultar o voto de eleitores da Região Nordeste nas eleições de 2022.
Os núcleos da trama golpista são:
- Núcleo 1 — Núcleo crucial liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados;
- Núcleo 2 — Gerenciamento, responsável por gerenciar as ações da organização criminosa;
- Núcleo 3 — Formado pelos kids pretos, responsável por monitorar e planejar o assassinato de autoridades; e
- Núcleo 4 — Desinformação, responsável por espalhar notícias falsas para descredibilizar autoridades e instituições.
As prisões
- Ângelo Denicoli — major da reserva do Exército
- Giancarlo Rodrigues — subtenente
- Guilherme Almeida — tenente-coronel


Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército condenado no cúcleo 4 da trama golpista
Reprodução/Redes sociais

Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército preso no núcleo 4 da trama golpista
Reprodução/TV Globo

Guilherme Almeida, tenente-coronel-nucleo-4-trama-golpista
Reprodução/Redes sociais

Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército; Giancarlo Rodrigues; subtenente; e Guilherme Almeida, tenente-coronel
Arte/Metrópoles

