Ex-gerente do Rioprev fez anotações sobre possível delação de Vorcaro | Foto: CNN Brasil
Novos documentos da investigação do caso do Banco Master revelam que Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência e depois presidente do Itaprevi, o Instituto de Previdência de Itaguaí, escreveu, em um dos cadernos apreendidos pela Polícia Federal que, caso Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, apresentasse uma…
Novos documentos da investigação do caso do Banco Master revelam que Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência e depois presidente do Itaprevi, o Instituto de Previdência de Itaguaí, escreveu, em um dos cadernos apreendidos pela Polícia Federal que, caso Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, apresentasse uma delação premiada inverídica, ele estaria “f*dido”.
LEIA MAIS NOTÍCIAS DA POLÍTICA NACIONAL E INTERNACIONAL
ACOMPANHE O ALAGOAS 24 HORAS NO INSTAGRAM
Em uma anotação solta, Fernanda escreveu: “Chance de Daniel falar aumentou muito e se ele falar e não bater, ele tá f*dido”.
As anotações fazem parte do material apreendido pela PF durante buscas realizadas em maio deste ano. Ao todo, foram confiscados cinco cadernos da ex-gerente. O sigilo dessas informações foi retirado pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), na noite de sexta-feira (11).
Os investigadores apreenderam, na residência de Fernanda: celulares, tablet, notebook, pen drives, folhas avulsas e diversos cadernos. Segundo o relatório da PF, parte desses registros manuscritos “aparentam ter relação direta com os fatos apurados” na investigação.
Em uma das páginas, por exemplo, Fernanda anotou tópicos para tratar do credenciamento de instituições financeiras e questionou: “O que é o credenciamento?”. Em outra, escreveu sobre a necessidade de “pedido de acesso ao IPL” e registrou referências a “ofício ao TC”, “ofício ao liquidante” e “notícia criada pela super” envolvendo o Banco Master. As páginas integram o caderno azul, apreendido pela PF durante as buscas.
RELAÇÃO COM O MASTER
Fernanda ocupava a Gerência de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência, fundo responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio.
A PF a coloca no núcleo de dirigentes que teriam viabilizado os investimentos do Rioprevidência no Banco Master durante o governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro. Entre outubro de 2023 e outubro de 2025, segundo a investigação, a autarquia realizou cerca de R$ 3,7 bilhões em aplicações em Letras Financeiras e fundos estruturados ligados ao banco de Vorcaro.
Segundo os investigadores, Castro promoveu alterações em postos estratégicos da autarquia pouco antes do início dos aportes no Master. A investigação sustenta que a proximidade do então governador com Vorcaro teria criado o “alinhamento político” necessário para os investimentos e para a colocação de dirigentes em cargos-chave do fundo.
Fernanda fazia parte justamente desse grupo de dirigentes apontado pela corporação. Ao lado dela, aparecem Deivis Marcon Antunes, então presidente do Rioprevidência; Eucherio Lerner Rodrigues, diretor de Investimentos; e Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente de Operações e Investimentos.
OUTRO LADO
A CNN entrou em contato com a defesa de Fernanda Pereira da Silva Machado, que alegou que as anotações divulgadas estão no “contexto de suas atividades profissionais à época em que exerceu funções de Controle Interno e Auditoria no Rioprevidência”.
O comunicado também informa que a operação de busca e apreensão contra Fernanda ocorreu dois anos após sua saída da Rioprevidência e que ela continua à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
CONFIRA A NOTA COMPLETA
A defesa de Fernanda Machado esclarece que as anotações divulgadas estão inseridas no contexto de suas atividades profissionais à época em que exerceu funções de Controle Interno e Auditoria no Rioprevidência, que envolviam o acompanhamento de procedimentos e demandas de órgãos de controle. Registros fragmentados e informais não podem ser interpretados isoladamente, nem lhes pode ser atribuído sentido ou finalidade sem a necessária contextualização.
Ressalta-se que a busca e apreensão ocorreu aproximadamente dois anos após seu desligamento do Rioprevidência. Fernanda já informou as autoridades que permanece à disposição para prestar os esclarecimentos cabíveis nos autos e no momento processual adequado, confiando na análise técnica, integral e contextualizada dos elementos da investigação.
Fonte:Source link



