Os ex-sócios da Naskar Gestão de Ativos Ltda., José Maurício Volpato, Rogério Vieira e Marcelo Liranco Arantes (foto em destaque, da esquerda para a direita), serão mantidos presos no sistema carcerário de São Paulo, de acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O trio foi preso pela PCDF, na quarta-feira (22/7), e teve a prisão mantida nessa quinta-feira (23/7) após passar por audiência de custódia.
Os antigos donos da fintech são investigados no âmbito de um esquema fraudulento que causou prejuízo superior a R$ 900 milhões, lesando cerca de 3 mil investidores da Naskar em todo o país. O caso foi revelado pelo Metrópoles em maio deste ano.
Apesar de o trio continuar preso em São Paulo, terra natal dos três sócios, as investigações do caso estão sendo conduzidas pela PCDF, por meio da Divisão de Defraudações e Falsificações da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Difraudes-Corf). Isso porque grande parte dos 3 mil clientes da Naskar era do DF e mais de 70 boletins de ocorrência foram registrados por moradores da capital federal.
De acordo com o delegado da PCDF responsável pelas investigações, Henry Galdino, nenhum dos três sócios resistiu à prisão, na quarta-feira (22/7). Um deles, Rogério Vieira, foi detido enquanto dirigia. O trio investigado por fraude optou por ficar em silêncio durante interrogatório policial.
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do Metrópoles DF
A prisão do trio foi revelada pela coluna Mirelle Pinheiro.
Ainda segundo Galdino, os três investigados mudaram de casas diversas vezes nos últimos dois meses. “Eles trocaram de endereços várias vezes nos últimos dois meses, estavam se escondendo”, afirmou o delegado.
Mesmo diante da dívida de quase R$ 1 bilhão, os ex-sócios da Naskar estavam morando em condomínios de luxo em São Paulo — um deles foi encontrado em Riviera de São Lourenço, bairro praiano de Bertioga (SP).

Rogério Vieira, sócio da Naskar
Reprodução

Marcelo Arantes, sócio da Naskar

Maurício Jahu, sócio da Naskar. O mais famoso do trio, Jahu foi apresentador da ESPN
Reprodução
Bloqueio de contas
Além de terem sido presos, os três ex-sócios tiveram as contas bloqueadas por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
A mesma decisão judicial abrange não somente os ex-donos da Naskar, mas também o empresário Douglas Silva de Oliveira, 26 anos, comprador da fintech, bem como outras pessoas ligadas à instituição financeira, como a avó de Douglas, Célia Fátima de Ferreira, 77.
Douglas passou para a avó a propriedade da Naskar um mês após anunciar a compra.
Quanto ao bloqueio nas contas de Douglas Silva de Oliveira, o Metrópoles apurou que foram confiscados R$ 75 milhões. A decisão foi tomada na última terça-feira (21/7), um dia antes da prisão dos ex-sócios.
Douglas se mudou para Dubai, nos Emirados Árabes, na semana passada. Nas redes sociais, ele alega estar “de férias”. O dono chegou a publicar story nesta quinta-feira (23/7) que noticiava a compra de um carro de luxo. “Noticiam tudo mesmo”, disse o dono da Naskar.
Outras sete empresas ligadas à Naskar, entre elas a 7Trust Finance e a Next Instituição de Pagamento, também estão proibidas de fazerem movimentações financeiras.
O TJSP bloqueou as contas das empresas investidas de forma urgente após um investidor lesado mover ação judicial. O bloqueio visa assegurar os valores do cliente enquanto os processos continuam tramitando.


Douglas Silva de Oliveira, 26 anos
Divulgação

Empresário diz que continua responsável pela Naskar; clientes esperam pelo dinheiro
Redes sociais

Enquanto as investigações seguem, Douglas se mudou para Dubai e passou a responder comentários e comentar publicações
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Ao comentar a notícia da prisão dos três ex-sócios da Naskar, Douglas provocou: “O pai tá safe”
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Relembre o Caso Naskar
- A Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado.
- Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido.
- Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas.
- Até que o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado.
- Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu.
- Os empresários em questão são Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei e apresentador de TV Maurício Jahu.
- Sem contato com os sócios da Naskar, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar.
- A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou-se desse local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles em 9 de maio.
- Cinco dias depois, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana chamada Azara Capital teria comprado por R$ 1,2 bilhão a fintech brasileira. A tal Azara é que supostamente ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18 de maio, segundo ambas as empresas. Nada disso ocorreu.
- A Azara Capital apresentou várias inconsistências: o site não informa nomes de presidente, diretores ou de qualquer pessoa; o endereço físico informado é de Miami, na Flórida, mas o Google Maps aponta a localização informada para o Ocean Bank, banco comercial independente; o perfil @azara.capital no Instagram foi criado há apenas três meses; entre outras questões.
- Em maio, Douglas Silva de Oliveira publicou um vídeo no qual se comprometeu a pagar os valores devidos.
- Até o momento, porém, os clientes da Naskar não obtiveram retornos concretos sobre quando (e se) receberão os valores de volta.
As investigações por parte da PCDF seguem em andamento, visando recuperar os ativos dos 3 mil clientes da Naskar e responsabilizar possíveis demais envolvidos.


