Novas mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) apontam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou a tratar de um apartamento luxuoso avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador (BA), meses após compartilhar informações sobre o imóvel com o empresário Augusto Ferreira Lima.
Em uma das conversas reproduzidas pela corporação, o parlamentar encaminha ao ex-sócio do Banco Master um pedido atribuído a um de seus “filhos” para obter dados do proprietário formal da unidade.
“Consegue esses dados? O envio do projeto é até o dia 19/05, segunda-feira. Eles também falam de um formulário de envio, mas esse formulário não foi disponibilizado, nem está entre os arquivos do link que a construtora disponibilizou”, diz a mensagem citada na decisão.
Segundo a investigação, as informações seriam necessárias para a emissão de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documento exigido para a realização de alterações no imóvel.
A decisão que integra a 9ª fase da Operação Compliance Zero, também reproduz uma conversa no dia 26 de novembro de 2024, em que o senador encaminha a Augusto o contato do gerente da construtora responsável pelo empreendimento Poème Horto, além de detalhes sobre o apartamento.
“A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”, escreveu o senador, segundo trecho reproduzido pela PF.
No dia seguinte, Wagner também teria enviado o livro digital do empreendimento. A investigação aponta que, logo após receber as informações, Augusto acionou interlocutores ligados ao grupo econômico investigado para tratar da operacionalização da compra do imóvel.
Segundo a Polícia Federal, a aquisição foi posteriormente formalizada pela empresa Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos provenientes de estruturas de fundos vinculadas ao grupo investigado.
Em outro diálogo citado pelos investigadores, durante tratativas relacionadas à venda do Banco Master ao BRB, em março de 2025, Augusto Lima escreveu ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, saiu em defesa de Wagner.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade”, afirmou Edinho, em nota divulgada pouco depois da operação.
Ainda segundo o presidente, “os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”.
“Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, finalizou o presidente do PT.
Operação
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18/6), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre os principais alvos, estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal.
Além das buscas, foram autorizadas medidas cautelares diversas da prisão, como suspensão de passaportes e proibição de contato entre os investigados.
As suspeitas envolvendo Jaques Wagner surgiram a partir da análise de mensagens extraídas do celular de Augusto Lima. Os investigadores tentam esclarecer se o senador teria atuado em favor de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, entre elas uma proposta que ampliava o crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”.
Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela PF eram desnecessárias, alegando que o empresário está à disposição das autoridades há seis meses para prestar esclarecimentos. Os advogados também sustentam que ele sempre atuou dentro da legalidade e com observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.


