O Fluminense convocou a continuidade da reunião ordinária do Conselho Deliberativo para o dia 23 de março, nas Laranjeiras, para discutir e votar o orçamento de 2026. O documento, que deveria ter sido aprovado ainda em 2025, prevê receitas sustentadas principalmente por direitos de transmissão, vendas de jogadores e acordos comerciais. O Lance! teve acesso ao documento disponibilizado para os conselheiros do clube.
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A projeção tricolor indica R$ 152,3 milhões em receitas de TV, além de R$ 123,5 milhões em receitas comerciais, impulsionadas pelo acordo com a fornecedora de material esportivo. A maior fatia, no entanto, está prevista nas negociações de atletas, com meta de R$ 218,1 milhões ao longo do ano.
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Em entrevista, o presidente Mattheus Montenegro explicou a lógica por trás da previsão de vendas de atletas e reforçou que o modelo segue um padrão do mercado.
— No futebol mundial e, especialmente, no futebol brasileiro, o orçamento prevê pouco mais de 200 milhões de reais em vendas de jogadores. Isso não é algo fora do padrão, até porque o Fluminense historicamente sempre vendeu atletas. A única exceção recente foi em 2023, quando decidimos não vender, priorizando a Libertadores — afirmou.
O dirigente destacou que o clube já recusou propostas recentes — para nomes como Freytes, Serna e Bernal — e que novas negociações podem acontecer ao longo da temporada.
— O nosso planejamento é cumprir o orçamento. Certamente vão surgir propostas no meio do ano, e vamos analisar se são boas ou não. O clube já recebeu propostas neste ano e optamos por não aceitar. Se chegarem ofertas melhores, pode ser que aconteçam saídas, e, nesse cenário, também pode haver reposição no elenco. Caso não atinjamos a meta de vendas de jogadores, podemos compensar com outras receitas, como premiações, que são projetadas de forma conservadora. Foi isso que fizemos em 2023, quando compensamos a ausência de vendas com premiação.
Apesar de considerado “dentro do padrão” pelo presidente, o valor de mais de R$ 200 milhões estimado em vendas pode não ser tão simples de ser alcançado. Em 2022, o Fluminense vendeu R$ 93 milhões. Em 2023, R$ 16 milhões. Em 2024, R$ 268 milhões. Os valores de 2025 ainda não foram divulgados oficialmente, mas devem superar os R$ 280 milhões, turbinados por Arias e Kauã Elias.
Para 2026, no entanto, o cenário pode se complicar. O Fluminense não tem nenhum jogador considerado “à venda”. Inclusive, Martinelli, o jogador mais valorizado no mercado, é peça crucial do elenco e só será vendido por uma proposta considerada irrecusável. O caso é diferente do que aconteceu com Nino, Arias e André. Todos esses eram peças-chave, mas tinham saída praticamente encaminhada do Brasil.
Outro agravante é que com o aumento do nível de exigência das competições que o Fluminense está inserido e consequentemente a evolução do elenco, as promessas de Xerém acabaram perdendo espaço para outros atletas já consolidados. Nomes como Riquelme, Fidelis e Matheus Reis mal entraram em campo após o retorno do time principal.
Com isso, os principais candidatos para cumprir essa meta de vendas são jogadores menos badalados, com idade mais avançada e com participação ativa no elenco. São eles:
– Freytes;
– Bernal;
– Hércules;
– Santi Moreno (Em negociação para empréstimo ao Dallas FC com opção de compra);
– Lima (emprestado com opção de compra ao América-MEX);
– Serna;
– Canobbio;
– John Kennedy.
Outras fontes relevantes incluem R$ 71 milhões com o programa de sócios e R$ 38,9 milhões em bilheteria. O clube também projeta arrecadar R$ 25 milhões com a participação na operação do Maracanã.
Do lado das despesas, o orçamento prevê R$ 50,8 milhões com operação de jogos e logística, além de uma folha salarial do futebol profissional estimada em R$ 23,8 milhões mensais, com reajuste projetado ao longo da temporada. O clube ainda guarda R$ 45 milhões para gestão da dívida, incluindo compromissos tributários. O montante deve ser utilizado para melhorar a proposta de compra da SAF do Tricolor.
A estrutura orçamentária mantém a prioridade no futebol. Do total arrecadado com transferências, 90% são destinados ao time principal, enquanto 10% ficam com as categorias de base. Já os custos da sede concentram maior investimento nos esportes olímpicos, com 63,75%, enquanto o futebol absorve 10%.




