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Fóssil brasileiro inédito pode ajudar a desvendar a origem das cobras


Um fóssil de cobra encontrado no interior de São Paulo pode ajudar a definir em qual local surgiram as primeiras serpentes. Atualmente, existe um debate sobre se elas evoluíram no mar, no subsolo ou na superfície terrestre. Ao analisar a peça achada em 2020, os pesquisadores brasileiros detectaram estruturas anatômicas compatíveis com a vida subterrânea.

A cobra, batizada de Tametara mirim, é o primeiro fóssil de cobra articulado do Brasil e foi encontrado em uma região de pedreira de Presidente Prudente. A rocha onde os ossos foram achados é do Cretáceo Superior e tem idade estimada entre 85 e 75 milhões de anos.

A análise foi liderada pelos pesquisadores Tiago Simões, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Nicolas Di-Poï, da Universidade de Helsinque, na Finlândia, e Annie Hsiou, da Universidade de São Paulo (USP). Os resultados foram publicados na revista Nature nessa quarta-feira (22/7).

Com aproximadamente 42 cm e cerca de 80 milhões de anos, os ossos do animal foram completamente preservados desde sua morte. Outras serpentes do período Cretáceo recuperadas contavam apenas com vértebras.

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do Metrópoles

Para preservar o fóssil raro, os cientistas utilizaram a microtomografia computadorizada, uma técnica semelhante à dos exames hospitalares de raios X. Os resultados demonstraram que a anatomia endocraniana e o ouvido interno combinavam mais com os de um animal de vida subterrânea.

Ao realizar a mesma análise no fóssil da espécie argentina Dinilysia patagonica, que viveu em uma época próxima ao exemplar brasileiro, foi identificado que os dois tinham diferenças estruturais consideráveis. A serpente extinta da Argentina se assemelha mais a um bicho de vida terrestre.

“Quase tudo o que sabemos sobre a origem das serpentes se baseia em um número muito restrito de fósseis bem preservados do Mesozoico. Cada nova espécie dessa época e com esse grau de preservação apresenta um enorme potencial para esclarecer perguntas sobre suas origens”, afirma Simões, que é o primeiro autor do estudo, em entrevista à Agência Fapesp.

Apesar de não trazer uma resposta definitiva sobre o assunto, a descoberta evidencia que linhagens próximas na árvore evolutiva viveram em ambientes distintos e tinham hábitos diversos, demonstrando que espécies subterrâneas, terrestres e marinhas já coexistiam desde o período Cretáceo.



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