O prazo está escrito à mão: 15 de março. Não é especulação, não é bastidor — está anotado no papel do senador Flávio Bolsonaro. Ao lado do nome de JHC, a observação é direta: precisa conversar com ele até essa data. Traduzindo: o prefeito de Maceió terá que dizer se é ou não candidato ao governo e, sobretudo, para que lado caminha politicamente.
As informações foram reveladas pela imprensa nacional. Trata-se de um documento com anotações do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, indica negociações e estratégias do PL para a construção de palanques nas disputas aos governos estaduais e ao Senado.
As anotações foram feitas ao longo de reuniões mantidas por Flávio Bolsonaro com membros da cúpula do PL, como o presidente Valdemar Costa Neto, e políticos que participam da estratégia de campanha do senador. Na prática, o documento revela o estágio real do jogo eleitoral em Alagoas.
No item “governo”, aparecem dois nomes: JHC (PL) e Alfredo Gaspar (União Brasil). Ao lado de Gaspar, a frase é a mais reveladora: “o único que pedirá voto para mim”, escreveu Flávio. A leitura não deixa dúvidas: no campo da direita alagoana, Gaspar surge como o aliado mais confiável do bolsonarismo.
Já no item “Senado”, constam Marina Cândida (PL) e Arthur Lira (PP). Marina aparece sem observações adicionais. Arthur, por sua vez, surge com marcação e interrogação com um 13 entre parenteses, sinalizando dúvida sobre seu posicionamento nacional. A avaliação corrente nos bastidores é de que Lira tende a permanecer no campo de Lula, ainda que dialogue com setores da direita.
O documento deixa claro que o PL nacional não pretende manter indefinições prolongadas nos estados. O pragmatismo deve prevalecer. Cada liderança terá que escolher lado — direita bolsonarista, centro pragmático ou alinhamento com o governo federal.
Em Alagoas, o cenário é esse: Gaspar e Lira são pré-candidatos ao Senado. Marina deve disputar a Câmara. JHC é a principal incógnita. E, segundo as próprias anotações, apenas Gaspar aparece como aliado certo de Bolsonaro.
Se o alinhamento ideológico prevalecer, o efeito pode ir além das candidaturas individuais. Pode influenciar o comando do PL no estado e reorganizar a disputa no campo da direita. O jogo está sendo jogado. E agora tem data no calendário de Bolsonaro. Até o dia 15.



