Gravação revela atitude de coronel com família da PM Gisele após morte


Gravação revela atitude de coronel com família da PM Gisele após morte. Reprodução

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto evitou encontrar a família de Gisele Alves Santana após a morte da esposa, em 18 de janeiro. Durante o interrogatório, o oficial alegou que teve receio de ser responsabilizado pelos pais de Gisele. Neto está preso em São Paulo acusado de feminicídio e fraude processual, por interferir na cena do crime.

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Após a prisão, o tenente-coronel foi levado para o 8º Distrito Policial (Belenzinho), na região central da capital paulista, para o interrogatório. O Metrópoles teve acesso à gravação. Em um dos momentos, o delegado responsável pelo caso questionou se Neto quis ver o corpo de Gisele após a confirmação da morte.

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“Não, porque até a orientação das psicólogas e do meu comandante era de que os familiares da Gisele estavam vindo para o Hospital das Clínicas. E temíamos a atitude do pai e da mãe dela em relação a mim se nos encontrássemos pessoalmente. Que, na cabeças deles, eu que teria matado a filha deles“, respondeu.

Morte de PM Gisele levou à prisão de tenente-coronel

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A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.

Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.

Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.

Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não correspondia à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.

Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.

A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.

A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 18 de março. Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

Mesmo no 8º DP, onde os pais de Gisele também foram ouvidos, o oficial relatou que houve cuidado por parte das psicólogas para evitar o contato. O tenente-coronel sustenta que a esposa cometeu suicídio.

Contradições

Conforme publicado pelo Metrópoles, o tenente-coronel apresentou uma série de contradições no interrogatório feito pela polícia imediatamente após a prisão dele.

Geraldo usa a pressão alta como principal justificativa para o comportamento que adotou logo após encontrar a esposa baleada. Supostamente nervoso, ele fez diversas ligações antes de pedir socorro e entrou no banho pela segunda vez em poucos minutos.

O tenente-coronel afirma que tomou o segundo banho após “alguém” – que ele supõe ser um médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou um policial – medir a pressão arterial dele, verificar que estava alta e indicar uma ducha para aliviar a condição.

O delegado que interroga Geraldo aponta que, pelas câmeras corporais dos policiais presentes, em nenhum momento ele é visto sendo atendido ou tendo a pressão aferida antes do banho.

A autoridade ainda destaca que é contraditório e “estranho” o marido priorizar um banho após ver a esposa agonizando. Além disso, pontuou que, enquanto Geraldo estava no banho “relaxando e refletindo” sobre a pressão, Gisele ainda estava viva e respirando, momento em que deveria ter recebido os primeiros socorros.

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Fonte: Gazetaweb