Hipotireoidismo engorda mesmo? Endocrinologista revela mitos da doença


Ao receber o diagnóstico de hipotireoidismo, uma preocupação comum surge entre os pacientes: e agora, vou engordar? Embora o questionamento seja válido, a endocrinologista Érika Fernanda de Faria tranquiliza que muito do que se diz sobre um aumento expressivo no ganho de peso está relacionado a um tratamento inadequado.

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a especialista esclareceu os fatores que fazem com que a doença crônica leve o organismo a “trabalhar em um ritmo mais lento”.

“O hipotireoidismo é a condição em que a tireoide passa a produzir hormônios em quantidade insuficiente, principalmente a tiroxina (T4L). Como esses hormônios ajudam a regular o funcionamento de vários órgãos, quando estão baixos, o corpo sente e pode apresentar sintomas como cansaço, sonolência, intestino preso, pele seca, sensação de frio, lentidão, alterações de humor e também ganho de peso”, explica.

Foto colorida de mãos femininas segurando "maquete" de tireoide - Metrópoles
A tireoide é responsável por manter o equilíbrio metabólico do organismo

Segundo Érika Fernanda de Faria, a causa mais comum da doença, em adultos, costuma ser autoimune, especialmente a tireoidite de Hashimoto.

“O diagnóstico geralmente é feito por meio de exame de sangue, com a dosagem de TSH e T4 livre (TSH alto e T4L baixo). O tratamento mais utilizado é a reposição com levotiroxina”, acrescenta.

Endocrinologista revela se o hipotireoidismo realmente engorda

A afirmação de que o hipotireoidismo engorda não é falsa — mas exige ressalvas. “A relação entre hipotireoidismo e peso existe, mas costuma ser superestimada. Em geral, esse ganho é modesto e está relacionado à retenção de líquidos, e não a um acúmulo de gordura corporal propriamente dito”, esclarece.

Quando o assunto envolve o risco de obesidade, Érika é enfática: a condição é multifatorial e não está atrelada ao hipotireoidismo. “Quando alguém tem obesidade, normalmente há uma combinação de fatores, como padrão alimentar, baixa qualidade do sono, sedentarismo, genética, uso de medicamentos, menopausa, resistência à insulina e saúde mental, entre outros”, pontua.

Foto colorida de mulher com mão no pescoço e área está avermelhada - Metrópoles
A relação entre hipotireoidismo e peso existe, mas costuma ser superestimada

Dificuldade em emagrecer

Em relação à dificuldade para emagrecer, a médica explica que o processo se torna mais desafiador quando o hipotireoidismo está descompensado. “Isso acontece, sobretudo, porque as pessoas tendem a se sentir mais cansadas, menos ativas, com menor gasto energético e maior retenção de líquidos”, afirma Érika Fernanda de Faria.

Segundo a médica, a solução para que o hipotireoidismo deixe de ser um “freio” no emagrecimento está no tratamento adequado. “Com os hormônios ajustados para a faixa adequada, a perda de peso volta a depender principalmente do balanço calórico, da atividade física, da massa muscular e da adesão ao plano alimentar saudável”, explica.

Mulher triste, sofrendo de dor de cabeça, sentada na cama com os olhos fechados enquanto segura a cabeça, sentindo dor. Metrópoles
Cansaço excessivo é um dos sintomas da doença crônica

Hábitos capazes de ajudar a driblar a disfunção

Érika salienta que o principal cuidado para manter as medidas não está em estratégias “metabólicas” isoladas. “Como mencionado, controlar bem a doença faz toda a diferença no bem-estar e no peso”, enfatiza.

Entre as medidas importantes para minimizar os efeitos da condição, a endocrinologista destaca o uso correto da medicação prescrita. “O ideal é que o remédio seja tomado de forma consistente, geralmente em jejum. Também é importante evitar o uso concomitante com substâncias que prejudicam a absorção, como ferro, cálcio e alguns suplementos ou alimentos à base de soja”, orienta.

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Em sua prática clínica, no Hospital Santa Lúcia Gama, em Brasília, a especialista reforça aos pacientes a importância de estabelerecem hábitos que favoreçam a saúde metabólica como um todo.

No que diz respeito aos exercícios, Érika destaca a importância de uma rotina que contribua para a preservação da massa muscular, melhora do gasto energético, aumento da disposição e melhor composição corporal.

Já na alimentação, a médica desmistifica a ideia de uma “dieta da tireoide” capaz de curar o hipotireoidismo. “O foco deve ser uma rotina alimentar equilibrada e sustentável. Não há necessidade de restrições mirabolantes”, conclui.

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