Homenagem a Lula leva política para a Sapucaí e deixa PT e oposição em alerta


Homenagem a Lula leva política para a Sapucaí e deixa PT e oposição em alerta. Ricardo Stuckert/PR

O desfile da Acadêmicos de Niterói — primeira escola a entrar na Marquês de Sapucaí pelo grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro este ano — mobilizará não apenas foliões, mas também o mundo político neste domingo (15/2). A agremiação estreia na elite da folia carioca com um enredo dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Às vésperas da disputa presidencial, a homenagem ganhou dimensão política. Enquanto partidos de oposição veem no espetáculo indícios de campanha antecipada, dirigentes do PT admitem, nos bastidores, preocupação com eventual desgaste à imagem de Lula.

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Em “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola contará a trajetória do petista e, no samba-enredo, incluirá referências diretas ao universo do PT. A letra reproduz um dos gritos de guerra entoados pela militância (“Olê, olê, olê, ola, Lula, Lula”) e menciona, em duas passagens, o número de urna do partido.

O enredo também faz menção ao “legado do lulismo” e classifica o petista como o “político mais bem-sucedido de seu tempo”. Nas redes, a Acadêmicos de Niterói tem utilizado imagens oficiais de Lula e um dos motes da campanha de 2022 (“O amor vai vencer o medo”) para vender o desfile, que apresentará cinco carros alegóricos e 3.100 componentes.

Lula deve assistir à apresentação em um camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), que é cotado para disputar o governo do estado, com apoio do presidente. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, deve desfilar em uma das alas da escola. A combinação elevou a temperatura do debate jurídico e eleitoral em torno do desfile.

Oposição vê campanha antecipada

Para políticos da oposição, a passagem da escola de Niterói pela Sapucaí representará uma espécie de campanha antecipada da reeleição de Lula. O enredo já é alvo de questionamentos na Justiça Federal e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Corte Eleitoral rejeitou, na última semana, um pedido para barrar a apresentação da escola, mas alertou que eventuais ilícitos poderiam ser analisados após o desfile.

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, destacou que o caso não foi arquivado e avaliou que havia um “risco muito concreto” de que delitos eleitorais pudessem ocorrer.

“Anuncia-se como partícipes ou possíveis participantes pessoas que já se anunciaram como sendo eventuais candidatos, o que significa que há, pelo menos, um risco muito concreto e plausível de que venha a acontecer algum ilícito que será objeto da atuação desta Justiça Eleitoral”, disse.

Principal partido de oposição, o PL deverá ficar “de olhos abertos” para possíveis deslizes de aliados de Lula no desfile. Dirigentes da sigla avaliam que eventos do tipo podem ser configurados como propaganda antecipada, o que pode levar à aplicação de multa contra Lula.

Membros da cúpula do partido relembram que um cenário semelhante ocorreu em 2022, quando o PT foi à Justiça Eleitoral para impedir a utilização de imagens do desfile do Sete de Setembro na campanha de Jair Bolsonaro.

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que o grupo vai “aguardar” o desfile para avaliar contestações jurídicas.

“Vamos aguardar sem pré-julgamento. Se ficar claro que é propaganda antecipada de campanha com dinheiro público, com certeza, o partido tomará todas as medidas judiciais cabíveis”, disse.

Além de contestar o conteúdo do enredo, a oposição questiona repasses de verbas federais ao Carnaval. Parlamentares acusam o governo de financiar indevidamente a Acadêmicos de Niterói por meio de recursos da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), que destinou R$ 12 milhões ao grupo especial — R$ 1 milhão para cada agremiação, incluindo a escola de Niterói.

O Partido Novo levou o caso ao Tribunal de Contas da União (TCU) e pediu a suspensão dos repasses. No início do mês, o ministro Aroldo Cedraz rejeitou bloquear os recursos da Acadêmicos de Niterói, mas determinou que a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) prestem esclarecimentos sobre possíveis irregularidades.

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Fonte: Gazetaweb