AFUNDAMENTO DO SOLO
Projeto em discussão prevê recuperação ambiental da área afetada pela mineração e tenta evitar uso imobiliário
Os pré-candidatos ao governo de Alagoas JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB) foram convidados para participar de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) que vai discutir a criação de uma reserva ambiental na área afetada pela extração de sal-gema em Maceió. O encontro está previsto para a próxima segunda-feira (1º) e foi confirmado pelo deputado Francisco Tenório (MDB).
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A proposta, apresentada por parlamentares da Casa, prevê a transferência da área atingida pela atividade mineradora para o domínio do Estado e estabelece diretrizes para recuperação ambiental e preservação do território afetado pelo desastre geológico associado à atuação da Braskem.
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O Projeto de Lei, de autoria de Francisco Tenório, propõe medidas voltadas à restauração dos ecossistemas degradados, incentivo à pesquisa científica e desenvolvimento de ações de educação ambiental. A iniciativa também busca impedir que a área desocupada seja destinada a empreendimentos privados ou exploração imobiliária.
“As pessoas foram obrigadas a deixar suas casas para, no futuro, aquilo virar ponto comercial ou condomínio de luxo? É isso que queremos evitar. Precisamos dar um destino legal, útil e que atenda a toda a sociedade”, afirmou o deputado responsável pela articulação da audiência.
Segundo o parlamentar, o convite aos dois principais nomes colocados na disputa pelo Palácio República dos Palmares tem como objetivo inserir o tema no debate político estadual e cobrar posicionamentos sobre o futuro da área afetada.
“Chamamos os dois candidatos porque um deles vai administrar Alagoas a partir de 2027. Esse é o momento de discutir qual será o destino da área afetada e quais políticas públicas podem ser implementadas para aquela região”, disse.
A Braskem também foi convidada para participar da audiência pública, mas, segundo o deputado, ainda não confirmou se enviará representantes ao encontro.
A discussão ocorre em meio ao avanço das articulações políticas para as eleições de 2026 e deve colocar no centro do debate temas como reparação social, preservação ambiental e ocupação futura dos bairros evacuados após o afundamento do solo em Maceió.
Rachaduras apareceram em 2018
Os moradores do bairro do Pineiro, em Maceió, perceberam as primeiras rachaduras em 2018. O problema causado pela mineração se agravou, afetou outros quatro bairros e levou à evacuação de cerca de 60 mil pessoas.
Mais de 14 mil imóveis foram condenados em cinco bairros de Maceió: Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e Farol. A extração de sal-gema durante décadas foi apontada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) como a causa do problema. Com isso, os moradores dessas áreas foram realocados.
No dia 10 de dezembro de 2023, uma das 35 minas da Braskem ruiu sob a lagoa Mundaú, no Mutange. A cratera aberta pelo colapso da mina 18 comporta o mesmo volume de água de 11,4 piscinas olímpicas.




