Após ter sido afastado do posto de comando da Eagle Football Holdings (EFH), John Textor, dono da SAF do Botafogo, recuperou formalmente o cargo nesta quarta-feira. Nesta terça-feira, a Companies House, órgão que registra movimentações de empresas no Reino Unido, formalizou o retorno do empresário americano à frente da direção da holding. Nesta terça-feira, a…
Após ter sido afastado do posto de comando da Eagle Football Holdings (EFH), John Textor, dono da SAF do Botafogo, recuperou formalmente o cargo nesta quarta-feira. Nesta terça-feira, a Companies House, órgão que registra movimentações de empresas no Reino Unido, formalizou o retorno do empresário americano à frente da direção da holding.
Nesta terça-feira, a saída de Textor do comando da empresa havia sido publicada. Em nota oficial, o americano já havia informado que readquiriu o controle da empresa no dia 29 de janeiro — a sua destituição ocorreu dia 27 de janeiro e foi imediatamente contestada pelo empresário — o que está no registro oficial britânico nesta quarta.
Entenda o imbróglio
A decisão pela destituição foi tomada no final de janeiro, quando a Ares Management exerceu uma cláusula de proteção ao crédito no âmbito de um processo interno na justiça britânica, diante do agravamento da situação financeira e societária da holding. Em nota desta terça-feira, o americano definiu como “guerra civil” o imbróglio judicial.
A medida afastou momentaneamente John Textor do comando operacional da Eagle em mais um capítulo do conturbado processo financeiro envolvendo a empresa. O documento que oficializou o afastamento de Textor referendava justamente a data de final de janeiro.
Segundo apuração do GLOBO no mês passado, o estopim para a ação foi uma reorganização interna promovida por John Textor, que afastou membros independentes da estrutura de governança da Eagle. A iniciativa foi interpretada como um risco adicional pelos credores, levando a Ares a exercer garantias contratuais já previstas para situações de descumprimento ou deterioração da governança.
Após a decisão vir à tona, Textor se posicionou por meio de longa nota oficial na qual explicou as decisões tomadas recentemente, como as demissões de Hemen Tseayo e Stephen Welch, e lamentou que o Botafogo tenha sido “deixado à deriva”. A publicação também informava que o empresário havia exercido seus direitos previstos nos Estatutos Sociais para se reconduzir ao conselho de administração da Eagle Bidco.
— O resultado dessa decisão é uma lamentável guerra civil que transformou uma organização esportiva solidária, colaborativa e incrivelmente bem-sucedida (em busca de troféus em todos os mercados) em um atoleiro financeiro. O clube financeiramente mais forte do Brasil, que enviou dinheiro e jogadores para o então líder da Liga Europa, foi deixado à deriva, com grandes contas a receber intragrupo em aberto, sob a direção de um “conselho secreto” na França, o que constitui uma clara violação da lei francesa — afirmou Textor.
Veja nota de John Textor:
A cronologia abaixo visa auxiliar o público a compreender os registros conflitantes de documentos na Companies House, no Reino Unido. A Companies House é um sistema público de acesso aberto, na Inglaterra, que pode ser afetado e manipulado por interesses concorrentes.
No caso da Eagle Football, os registros da Companies House agora mostram os efeitos de diferentes pontos de vista sobre a governança da empresa. Como acionista majoritário da Eagle Football Holdings Limited e único diretor da Eagle Football Holdings Midco Limited, que por sua vez é a única acionista da Eagle Football Holdings Bidco Limited, o Sr. Textor se opõe ao arquivamento de documentos frívolos por credores terceirizados na Companies House, que buscam restringir os direitos dos acionistas das empresas do Grupo Eagle, conforme claramente estabelecido pelos documentos constitutivos dessas entidades, os Estatutos Sociais (que podem ser consultados na Companies House).
25 de janeiro de 2026: rescisão dos diretores da Eagle Bidco por Textor
No domingo, às 21h15 (horário do leste dos EUA), como único diretor da única acionista da Eagle Bidco, optei por destituir dois membros do conselho de administração altamente qualificados e profissionais, a fim de proteger os interesses de todas as partes interessadas da Eagle Football. Esses senhores, Hemen Tseayo e Stephen Welch, foram anteriormente solicitados a intermediar pelo menos dois interesses conflitantes (os acionistas e o credor) e a ajudar a conduzir uma organização multiclubes atraente e viável através de uma disputa interna que buscava minar nosso sucesso histórico e sem precedentes em transformar clubes insolventes em campeões históricos e reconhecidos globalmente.
Infelizmente, a descoberta, em meados de janeiro, de um “Acordo Paralelo” secreto e ativamente ocultado (entre Michele Kang, Ares e um único diretor da Eagle Bidco) revelou mudanças na governança corporativa e no controle do Olympique Lyonnais que não só eram não autorizadas e não divulgadas, como também constituíam claras violações da lei francesa. Este Acordo Paralelo extremamente detalhado criou um conselho de administração alternativo na EFG/OL que trabalharia em estreita colaboração com a Sra. Kang para governar a EFG/OL, sem o envolvimento de sua proprietária de 93%, a Eagle Football Holdings, e sem o conhecimento do conselho de administração oficial da EFG/OL. Além disso, este “conselho paralelo” e a efetiva mudança de controle não foram divulgados aos acionistas minoritários, como seria exigido de qualquer empresa listada em bolsa de valores sob a lei francesa.
Em resposta à descoberta de um acordo paralelo ilegal, tomei medidas para consolidar o controle do conselho de administração da Eagle Bidco e abordar os dois desafios mais sérios para nossa organização e nossas comunidades. Portanto, optei por destituir todos os diretores independentes da Eagle Football Holdings Bidco, a fim de solucionar essas questões:
Em primeiro lugar, é evidente que as demonstrações financeiras publicadas para a EFG contêm erros materiais, baseados em resultados desejados e não nos fatos e circunstâncias das transações históricas. Alguns dos erros dizem respeito a um nível inaceitável de equívocos honestos, enquanto outros resultam de um trabalho de confirmação deficiente por parte dos auditores estatutários da empresa. Infelizmente, também parece que ocorreram erros materiais devido a um forte viés em favor de uma agenda de reestruturação maliciosa que jamais deveria ter sido permitida.
Em segundo lugar, a descoberta do “Acordo Paralelo”, que foi ativamente ocultado durante vários meses, explica melhor a separação inesperada do OL do bem-sucedido modelo esportivo da Eagle Football, ao qual a Sra. Kang havia jurado lealdade apenas alguns dias antes. O resultado dessa decisão é uma lamentável guerra civil que transformou uma organização esportiva solidária, colaborativa e incrivelmente bem-sucedida (em busca de troféus em todos os mercados) em um atoleiro financeiro. O clube financeiramente mais forte do Brasil, que enviou dinheiro e jogadores para o então líder da Liga Europa, foi deixado à deriva, com grandes contas a receber intragrupo em aberto, sob a direção de um “conselho secreto” na França, o que constitui uma clara violação da lei francesa.
Minha decisão de remover o Sr. Welch e o Sr. Tseayo, ambos com o aval da Ares, do Conselho de Administração não teve como objetivo encerrar nossa relação profissional. Pelo contrário, era necessário fortalecer essa relação e a própria empresa, visto que eu havia proposto nomear cada um deles para o Conselho de Administração da EFG/OL a fim de solucionar, pelo menos, as duas crises mencionadas. Também propus a inclusão de outro profissional com o aval da Ares, o diretor financeiro da Eagle Bidco, Sr. Justin Le Fort, além de outro indivíduo com sólida experiência financeira, que já havia atuado no Conselho da EFG/OL.
Contrariando as notícias sensacionalistas de uma tentativa de golpe, meu voto teria removido um pequeno número de diretores que provavelmente se oporiam ao acionista majoritário (90%) e nomeado: Sr. Stephen Welch, Sr. Hemen Tseayo, Sr. Justin Le Ford (todos com o apoio da Ares para importantes cargos de liderança), além de um diretor da Eagle que já atuou bem no conselho (e propôs investir um capital significativo no clube).
A destituição desses dois diretores, que agora constam como “demitidos” nos registros da Companies House, foi motivada exclusivamente pela minha necessidade de abordar as duas questões críticas mencionadas acima. A contribuição deles para o Eagle Football foi muito apreciada e lamento sinceramente que os direitos do acionista com 93% das ações da EFG/OL tenham sido ignorados e que não tenhamos conseguido obter a devida representação no conselho da EFG/OL, na assembleia geral, e sua nomeação para o conselho da EFG/OL.
27 de janeiro de 2026: A Ares tenta mudar o Conselho de Administração da Eagle Bidco
Em 27 de janeiro de 2026, a Ares enviou correspondência a John Textor e à Companies House alegando que tinha autoridade para destituir o Sr. Textor do cargo de diretor da Eagle Bidco e, além disso, alegando que o Sr. Tseayo e o Sr. Welch seriam reconduzidos ao conselho de administração em substituição a John Textor. Esta carta foi enviada à Companies House sem fundamento legal e sem a aprovação dos Srs. Tseayo e Welch.
Segundo a legislação do Reino Unido, não é possível nomear diretores sem o consentimento deles, portanto, esta carta não era credível e foi ineficaz.
A Companies House irá, em algum momento, publicar esta demissão do Sr. Textor, apesar de a Ares ter agido sem fundamento legal para tal.
28 de janeiro de 2026: O Sr. Welch e o Sr. Tseayo contestam os documentos da Ares na Companies House e confirmam suas renúncias
Em 28 de janeiro de 2026, o Sr. Stephen Welch enviou correspondência à Companies House, assinada pelo Sr. Tseayo, deixando claro que a Ares não tinha autorização para propor a recondução dos dois ex-diretores ao conselho da Eagle Bidco, demonstrando claramente que a Ares havia feito alegações falsas em correspondência à Companies House. Os dois diretores deixaram claro que não pretendiam retornar ao conselho da Eagle Bidco e que a carta da Ares deveria ser desconsiderada no que diz respeito à sua recondução.
29 de janeiro de 2026: Textor se reconduz ao cargo de Diretor da Eagle Bidco
Em 29 de janeiro de 2026, John Textor, como único diretor e único acionista da Eagle Bidco, por precaução (caso houvesse alguma dúvida sobre sua condição de membro do conselho), exerceu seus direitos previstos nos Estatutos Sociais para se reconduzir ao conselho de administração da Eagle Bidco.
Hoje: Esclarecimentos sobre o Conselho de Administração do Eagle Group
A disputa entre Ares e o Sr. Textor, referente ao controle do conselho administrativo da Eagle Bidco, continuará.
“O Sr. Textor, como único diretor e único acionista da Eagle Football Holdings Bidco Limited, contesta qualquer nomeação feita pela Ares Capital Corp para o Conselho de Administração da Eagle Bidco.”
“O Sr. Textor exigiu ainda a rescisão do Acordo Paralelo entre a Sra. Kang e a Ares, que pretende reger o Eagle Football Group (Olympique Lyonnais) em substituição da governança estabelecida pelo conselho de administração do EFG e do acordo de acionistas entre a Eagle Bidco e a Holnest. A AMF foi notificada desta flagrante violação das normas de divulgação de informações ao mercado e da legislação francesa, e esperamos que a AMF conduza uma investigação completa e independente sobre este acordo não divulgado.”
Não há qualquer disputa entre as partes em relação ao conselho de administração da Eagle Midco, empresa controladora da Eagle Bidco, onde o Sr. Textor permanece como único diretor.
Não há controvérsias em relação ao conselho de administração da Eagle Football Holdings Limited, que detém 100% da Eagle Midco e das empresas do Grupo Eagle. O Sr. Textor permanece como acionista majoritário da Eagle Football Holdings, tendo nomeado a grande maioria dos membros atuais do conselho de administração.
Fonte:Source link



