Enquanto o Palácio do Planalto se reúne para discutir o problema da inflação, saíram os dados do IBGE sobre o IPCA-15, que é uma prévia da inflação. Eles mostram que o problema permanece. A inflação está subindo e a dos alimentos, que é a que bate mais diretamente no bolso do brasileiro mais pobre, sobe mais do que o índice geral.
O alarme da impopularidade continua soando no Planalto, daí essa movimentação. Lula mencionou o problema na reunião ministerial e ontem houve uma prévia desse encontro com o presidente na Casa Civil. Mas ainda não parece haver harmonia e um conjunto homogêneo de decisões. A largada foi atabalhoada.
Sabemos, pelo histórico do Brasil, que intervenção virou eufemismo para ortodoxia. O ministro [Rui Costa, da Casa Civil] precisou correr para se desdizer. Há nas declarações de Fernando Haddad uma preocupação exacerbada em colocar a bola no chão e deixar claro que não há mágica nisso, por que o mercado acha que o governo vai tirar um ou vários gambás da cartola a qualquer momento. Josias de Souza, colunista do UOL
Para Josias, o Planalto precisa definir logo uma estratégia adequada para encarar a alta dos alimentos, sob o risco de bater cabeça e alimentar a oposição tal qual como no caso do Pix.
É preciso que o governo chegue a algum consenso sobre o que fazer. Tem um peso muito grande nesse índice de inflação o comportamento do dólar. É preciso que o governo ajuste suas contas e, a partir disso, o Banco Central se convença de que pode baixar os juros. Também é preciso muita sorte para o clima não prejudicar.
Há fatores que o governo não controla, mas há outros que deveria. O governo precisa realmente dizer o que pretende para evitar a boataria e corre um risco: criar expectativas que, caso não se materializem, agravam o problema da impopularidade, que é o que mais preocupa Lula neste momento. Josias de Souza, colunista do UOL



