Nova Délhi – O presidente Lula (PT) disse que pretende discutir em conversa com o presidente Donald Trump o papel dos Estados Unidos no mundo e afirmou que é preciso dar um basta nas ameaças que ele tem feito a outros países:
“Quero discutir com eles qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul. Qual é o papel deles? É de ajudar ou de ficar ameaçando? Agora está ameaçando o Irã, ou seja, é preciso colocar um paradeiro nisso”, afirmou o presidente em coletiva de imprensa na Índia neste domingo (22/2).
Na quinta-feira (19/2), Trump indicou que poderia atacar o Irã. “Podemos ter de dar um passo adiante, ou talvez não”. Talvez vamos fazer um acordo. Vocês vão descobrir nos próximos 10 dias, provavelmente”, disse o norte-americano durante a primeira reunião do Conselho de Paz sobre a Faixa de Gaza.
Lula e Trump devem se encontrar na segunda metade de março em Washington, nos EUA. O combinado foi feito durante uma conversa telefônica entre os dois líderes, mas ainda não há definição sobre a data.
O chefe do Palácio do Planalto afirmou que pretende usar o momento para negociar e que se valerá da relação “química” entre eles:
“Eu acredito muito em uma coisa chamada negociação. Você sabe que essa história de química entre eu e o Trump, acredito muito que nós, seres humanos, a nossa relação é química mesmo. De você tocar na mão, de você olhar no olho, de você poder conversar diretamente com as pessoas, que você pode resolver qualquer problema. Eu acredito muito nisso. Aliás, eu faço isso a vida inteira. E eu quero continuar fazendo isso e quero fazer essa reunião com o Trump para isso”.
Na coletiva, o presidente citou ainda outros temas que quer abordar na conversa com Trump, a exemplo da questão de terras raras e minerais críticos, como mostrado pelo Metrópoles.
“Nós somos dois homens com 80 anos de idade, portanto, a gente não pode ficar brincando de fazer democracia. A gente tem que tratar com muita seriedade. E eu disse para o telefone ao presidente Trump, é preciso a gente pegar um na mão do outro, olhar um no olho do outro, para a gente ver o que a gente quer entre o Brasil e os Estados Unidos. E não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação. Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação. Se é para combater o clima organizado, nós estamos nessa para combater. Se é para fazer parceria com o Brasil, se é para poder explorar minerais críticos desde que o processo de transformação aconteça no Brasil, vamos conversar”.
Lula avalia homenagem no Carnaval
Na mesma coletiva, o presidente classificou a homenagem que recebeu da escola de samba Acadêmicos de Niterói como “algo extraordinário”. Lula disse estar “grato” pela celebração que a agremiação promoveu durante o Carnaval.
Questionado pelo Metrópoles, o mandatário revelou que pretende visitar a escola para agradecer assim que retornar ao Brasil, mas evitou falar sobre as críticas levantadas por evangélicos sobre o desfile.
“Sinceramente, acho que a escola fez algo extraordinário, não cabia ao presidente dar palpite nos carros alegóricos, só cabia aceitar ou não, se ele queria ser homenageado, e sou muito grato à escola. Quando eu voltar para o Brasil, vou visitar a escola para agradecer a homenagem que eles prestaram à saga de dona Lindu, saindo de Garanhuns para São Paulo. Só isso”, declarou Lula.
A ala intitulada pela escola como “neoconservadores em conserva”, que levou à avenida pessoas fantasiadas de latas com rótulos estampando a imagem de uma família, repercutiu negativamente entre evangélicos e opositores. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificaram a representação como “inaceitável” e “uma humilhação ao povo evangélico”.



