O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu, nesta quarta-feira (20/10), que a Polícia Federal (PF) investigue a disputa pelos direitos de ocupação de um imóvel de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), envolvendo o atacante Richarlison, do Tottenham, e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Em vídeo publicado no Instagram, Lula questionou a rapidez com que os direitos sobre a propriedade teriam sido transferidos para o grupo ligado ao advogado.
“Aonde é que foi feito o trambique que tiraram do pai do bebê (Richarlison) uma ilha que ele tinha pagado R$ 10 milhões por ela?”, declarou o presidente, ao reproduzir as acusações feitas pelo jogador.
Na gravação, Lula afirmou que Richarlison havia investido R$ 10 milhões no imóvel e que o pedido de regularização apresentado por ele à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) teria demorado meses para avançar. Confira:
E a mansão do Pai do bebê? 👶
Nós estamos investigando e vamos descobrir toda a verdade sobre o que aconteceu com a ilha do Richarlison. A verdade precisa aparecer, e ninguém vai descansar até que tudo seja esclarecido. https://t.co/P5llq3IGIq
— Lula (@LulaOficial) October 22, 2026
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do Metrópoles
Segundo o presidente, uma solicitação relacionada ao grupo de Willer Tomaz foi concluída em prazo muito menor, após a participação de Flávio Bolsonaro.
“O advogado Willer Tomaz, do Flávio Bolsonaro, e o Flávio Bolsonaro foram lá na ilha desse rapaz, filmaram a ilha com drone, sabe? E deram entrada no SPU do Rio de Janeiro. Foi no mesmo SPU que ele tinha dado entrada há um ano atrás”, disse Lula.
O presidente afirmou que o governo está investigando o caso e prometeu esclarecimentos ao jogador. “Tô pedindo pra Polícia Federal investigar pra saber aonde é que foi feito o trambique que tiraram do pai do bebê uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões por ela. Nós estamos investigando”, declarou.

Disputa envolve direitos de ocupação
- A controvérsia começou em 2020, quando Richarlison, por meio de uma empresa da qual era sócio, participou da negociação para adquirir os direitos de ocupação de um imóvel na Ilha Comprida.
- Segundo o centroavante, ele investiu cerca de R$ 10 milhões na aquisição e em despesas relacionadas ao imóvel, mas perdeu os direitos que reivindicava sem receber o valor de volta.
- Ele afirma que Flávio Bolsonaro demonstrou interesse na propriedade e que, após sua recusa em vendê-la, o senador e Willer Tomaz teriam atuado para assumir a posse.
- A disputa judicial envolveu a empresa Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada ao jogador e ao seu então empresário Renato Velasco, e a WT Administração de Imóveis, ligada a Tomaz.
- Em 2023, a Sport 70 entrou com uma ação para obter o reconhecimento dos direitos de ocupação e anular atos que favoreceram a empresa do advogado.
- O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu em favor da WT, e o Superior Tribunal de Justiça manteve o entendimento em 2025.
- Posteriormente, a empresa ligada a Richarlison desistiu das reivindicações, e o processo foi extinto.
A manifestação de Lula ocorre no mesmo dia em que Richarlison publicou um novo vídeo nas redes sociais para responder ao desafio feito por Willer Tomaz, que havia cobrado documentos que comprovassem os direitos reivindicados pelo atleta.
Na gravação, o jogador apresentou documentos que, segundo ele, demonstram a aquisição dos direitos de ocupação do imóvel. Também exibiu informações sobre processos administrativos na SPU e afirmou que o pedido apresentado por seu grupo ficou sem conclusão por cerca de dez meses, enquanto uma solicitação relacionada à empresa de Tomaz teria sido concluída em um dia, em julho de 2022.
A versão do advogado é diferente. Tomaz afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação da área e do imóvel. Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega envolvimento na disputa, embora tenha visitado a propriedade e sido incluído como testemunha no processo judicial.
A disputa veio à tona em outubro, quando Richarlison cobrou publicamente Flávio Bolsonaro pela devolução do imóvel. Em uma publicação nas redes sociais, o atacante questionou o discurso do senador em defesa de causas que considera justas e escreveu: “Lutar pelo que é justo, né? Então devolve minha ilha!!!”.




